Por que ter o trabalho de desenhar uma espécie da fauna ou da flora em vez de simplesmente fotografá-la. A invenção da fotografia pode ter desbancado temporariamente o desenho, mas não o substituiu como importante auxiliar dos profissionais que trabalham com botânica animal ou vegetal. O desenho consegue captar cores e detalhes, como nervuras e pequenos emaranhados de plantas, com mais fidelidade do que a fotografia.
O biólogo Oscar Shibatta explica que a pintura tem um significado mais científico do que propriamente artístico no seu trabalho (ver ilustrações nesta página), porque define características da espécie com muita precisão. ‘‘Com o desenho, dá para representar detalhes que muitas vezes a foto não captura. Às vezes nem é problema da foto, mas do próprio peixe (por exemplo, falta um pedaço). O desenho pode cobrir essas falhas’’. Shibatta explica que nem sempre o modelo a ser reproduzido é suficiente. Para fazer o desenho perfeito, ele pode usar vários ‘‘exemplares’’ de peixes e fazer uma síntese.
A UEL tem uma coleção de referência (com peixes fixados em formol e mantidos em álcool) que serve de modelo para a retirada da forma do corpo e contagem de escamas e raios das nadadeiras.
No processo de ilustração, Shibatta desenha a espécie com lápis em papel transparente, usando as proporções corretas do corpo e o número exato de raios e escamas. Depois faz a matriz e parte para a arte-finalização, onde utiliza a técnica mista (com aquarela, lápis de cor, grafite e guache branco). ‘‘Este tipo de trabalho não é muito comum no Brasil. Existem poucas pessoas que fazem ilustração científica, ainda mais com peixes’’, avisa.
No entanto, no século passado, a técnica era muito utilizada. A carioca Maria Werneck, de 92 anos, foi pioneira da ilustração no Brasil ao desenhar flores do cerrado. Descoberto por botânicos em Brasília, o trabalho de Maria Werneck passou a ser reconhecido internacionalmente. (J.S.)

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