Ciberfazendas saem do papel
Edinelson Alves
Especial para a Folha,
De Rolândia
As ciberfazendas deixam de ser um projeto futurista e começam a se tornar realidade nos Estados Unidos. A interligação entre satélites, computadores instalados nos tratores e colheitadeiras, e no escritório da fazenda já permite que o produtor pratique a agricultura científica. Toda essa revolução no campo através da utilização da informática, começou em 1995 nos Estados Unidos, com as primeiras colheitadeiras-descaroçadeiras equipadas com o sistema GPS (sistema de posicionamento global) de localização por satélite. Com captadores eletrônicos e o GPS, essas máquinas são capazes, no decorrer da colheita, de registrar instantaneamente os rendimentos e outras informações como a umidade do grão , praticamente por metro quadrado. Com um software específico, esses dados são processados pelo computador da fazenda que elabora uma cartografia de rendimentos.
As informações são armazenadas ano após ano, tornando-se um banco de dados vital para o aumento da produtividade. Com isso, o agricultor pode descobrir, baseado em provas, variações não detectáveis a olho nu, no interior de uma mesma área. Baseado nesses resultados, um grande número de agricultores passam a eliminar variedades com baixo rendimento, tratam melhor as áreas de menor fertilidade ou aumentaram a quantidade de sementes plantadas nas terras com maior potencial. A segunda etapa foi iniciada em 1998 com o lançamento no mercado dos Estados Unidos de um trator e de acessórios (semeadeira e pulverizador) equipados com computadores de bordo e de conexões com o GPS. Graças às mesmas tecnologias sofisticadas, eles podem regular automaticamente a quantidade de sementes e adubo, sem que o agricultor precise intervir nessas funções.
Há uma declarada disputa entre as grandes fabricantes de maquinários pelo controle dessa nova tecnologia. A indústria aposta na chamada agricultura de precisão, através da produção de máquinas projetadas para receber e gerar todas as informações, até as de satélite, ligadas à administração da fazenda. Nessa empreitada estão Case (que comprou diversas fábricas para adquirir know-how), Caterpillar com Claas ou Agco (marcas Massey Ferguson e Fendt). A expectativa é de que as máquinas americanas que estão sendo adaptadas na França possam ser utilizadas em outros países.





