ReproduçãoTitanicO filme de James Cameron usou 200 supermáquinas Alpha 21624 de 500MHz durante dois meses, 24 horas por dia, para produzir as cenas do navio singrando o oceano. Na versão 1GHz do chip, o tempo de processamento teria sido cinco vezes menorA barreira do primeiro gigahertz (GHz) foi quebrada semana passada, com a última geração de chips da Digital, a 21264. O lançamento aconteceu poucos dias depois de a IBM ter divulgado que, em seu laboratório, pesquisadores desenvolveram um chip que também roda (ou voa?) a 1GHz. Ambos estarão encravados no coração dos computadores antes mesmo do ano 2000.
Esse primeiro ‘‘GHz’’ impressiona menos pelos efeitos imediatos do que pelo aparente gigantismo. Ainda não há sistemas operacionais (nem aplicativos) que possam tirar proveito pleno de todo esse poder de fogo. Os chips mais rápidos até agora andam a ‘‘meros’’ 500MHz. De qualquer maneira, 1GHz não é pouca coisa e quem desenvolve os sistemas operacionais ditos pesados, como Open VMS, Digital Unix e Windows NT, já está de olho gordo nessas belezinhas.
Para a Microsoft, a notícia não poderia ser melhor, especialmente agora, às vésperas do lançamento do NT 5.0 e do NT Consumer. De qualquer forma, máquinas desse tipo não são nada domésticas. O próprio Alpha 21624 de 500MHz, o chip mais poderoso da Digital atualmente, ainda é restrito aos servidores com grande necessidade de processamento, como as grandes redes, e as estações gráficas de alto desempenho, como as que foram usadas no ‘‘Titanic’’. O filme de James Cameron usou 200 supermáquinas
dessas durante dois meses, 24 horas por dia, para produzir todas as cenas do navio singrando o oceano. Na versão 1GHz do chip, o tempo de processamento teria sido cinco vezes menor. Para os próximos anos, a empresa disse que vai usar espessuras ainda menores: 0,25 e 0,18 mícron. Cada bolacha dessas terá cerca de 15,2 transistores.
Produto pronto Embora o consumidor comum não vá pôr as mãos tão cedo nessas máquinas, o mercado, como um todo, vai usufruir de um upgrade na qualidade de vida, especialmente nas conexões com a Internet. Provedores de acesso usando Alpha Servers poderão absorver tráfegos mais intensos sem perda de performance, aumentando o limite de usuários conectados simultaneamente.
Houve quem visse na proximidade dos lançamentos dos dois chips uma ‘‘corrida do gigahertz’’. Quem ganhou? Só o tempo dirá. Embora o chip da Grande Azul tenha sido anunciado antes, seu projeto ainda está longe de atingir o mercado.
‘‘Temos que esperar pelo menos dois anos por um produto baseado inteiramente no chip da IBM’’, disse Peter Song, analista sênior da ‘‘Microprocessor Report’’, uma publicação especializada em chips e semicondutores. ‘‘Já a Digital está oferecendo um produto pronto, concreto, que será colocado à venda até o fim do ano, e rodando praticamente à mesma velocidade.
Competições à parte, o fato é que os chips de 1GHz deixam a prancheta e chegam à vida real. O que será feito com eles não deve surpreender o mercado: serão máquinas mais velozes, sem dúvida, capazes de deglutir cada vez mais informação. Para se ter uma idéia, o Alpha 21264 de 1GHZ vai trabalhar numa velocidade mais de dez vezes superior (!!!) à dos atuais Pentium II de 333MHz. Há menos de um ano, previa-se que esse desempenho só seria atingido lá pelo ano 2005.

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