Iara LessaHá dez anos, o pesquisador brasileiro Jean Paul Jacob, um dos responsáveis pelo Laboratório da IBM em Almadén, Califórnia, previu o futuro. Desacreditado pelas pessoas, e algumas vezes chamado de maluco, ele anunciava a morte do disco de vinil e o triunfo do CD. Considerado um louco por suas idéias futuristas, Jacob gritava aos quatro cantos que o homem usaria equipamentos portáteis, como o telefone e o computador, e que ambos seriam imprescindíveis à vida moderna.
As previsões deste cientista visionário tornaram-se realidade. Dez anos se passaram e o disco de vinil virou objeto de colecionador. Hoje, o CD armazena maior quantidade de músicas e tem o poder de preservar o som com perfeição. Além do CD, os notebooks hoje são tão populares quanto os celulares (200 milhões em todo o mundo).
‘‘A tendência é a miniaturização e a junção de todos os equipamentos eletrônicos’’, garante Jacob. ‘‘Queremos facilitar a vida das pessoas’’. Assim como a transição dos mainframes (computadores de grande porte) para os micros de mesa, o pesquisador garante que o homem usará apenas um equipamento portátil com a função de telefone, bip, fax, agenda eletrônica, smart card e notebook.
Jacob está trabalhando no desenvolvimento de uma PAN (Personal Area Network), uma rede pessoal que vai funcionar a partir do homem. O sistema tem por objetivo interligar todos os equipamentos acima citados, transformando-os em uma só máquina pequena e portátil.
Segundo Jacob, um pesquisador da IBM descobriu que o corpo humano é um excelente condutor de energia elétrica. A transmissão de dados será feita via satélite. ‘‘Este chip responsável pelo funcionamento da máquina poderá ficar no celular, no sapato ou na fivela do cinto’’.
Jacob garante estar muito perto de concretizar este projeto. ‘‘A máquina poderá até transmitir informações ao cérebro humano, repassando dados sobre pessoas e negócios a serem feitos’’, diz ele. Segundo o pesquisador, se uma pessoa estiver andando na rua e não se lembrar do nome de um conhecido, a própria máquina poderá informar-lhe por meio de sua memória artificial.
‘‘Para resolver nossos problemas de saúde, poderíamos ingerir minúsculos robôs que passeariam por nosso corpo, ajudando os médicos a ficar frente a frente com as bactérias’’, sonha. ‘‘Não sei quando vai acontecer, mas já estamos realizando estudos para chegarmos a este avanço tecnológico’’.
Massificação com personalização é a palavra-chave de Jacob para definir o futuro. Como todo bom cientista de novas tecnologias, Jacob acredita que o jornal e os livros de papel estão bastante próximos da extinção. Além de não ocupar espaço, o jornal eletrônico pode ser personalizado. O micro vai encarregar-se de descobrir o perfil do seu usuário e de avisar as agências de notícias da preferência do leitor.
O responsável por esta ação tem sido apelidado no laboratório da IBM de agente inteligente, uma espécie de software capaz de traçar o perfil do usuário. Assim, cada usuário terá um jornal personalizado e diferente dos outros.
Agora só falta saber se as previsões de Jacob para os próximos dez anos estão certas. Quem viver, verá!

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