ReproduçãoCasas inteligentes programadas por computador não pertencem ao futuro distante: a tecnologia já pode transformar o sonho em realidadeAgência Estado
Casas inteligentes, turismo interplanetário, painéis computadorizados comandando uma frota de robôs nas tarefas domésticas, pílulas que valem por uma refeição... nem todas as previsões do cenário futurista dos Jetsons (personagens de histórias em quadrinhos) feitas por Hanna-Barbera em 1962 vão se confirmar, mas algumas delas parecem estar bem próximas. Por exemplo: os edifícios que sobem e descem hidraulicamente para fugir do mau tempo na cidade dos Jetsons são inviáveis, mas já existem as ‘‘casas inteligentes’’ controladas pelo computador.
Carros não-poluentes, movidos a hidrogênio estão sendo testados há alguns anos, e já se prevê uma viagem tripulada a Marte em 15 ou 20 anos, além da construção da primeira estação orbital para o século 21. Já as donas-de-casa ainda terão de esperar um bocado de tempo para ver seu exército de robôs cuidando das tarefas domésticas, e as pílulas que valem por uma refeição que os astronautas engolem nos filmes de ficção científica continuarão longe das mesas dos simples mortais por muitos e muitos anos.
No entanto, há outras previsões que podem se confirmar a médio ou longo prazo. Em pouco tempo, segundo o bioquímico Hernan Chaimovich, será possível saber como uma célula ‘‘decide’’ ser fígado ou orelha. E todas as descobertas no campo da ciência e da tecnologia dependerão da informática.
Os telescópios e aceleradores de partículas informatizados têm ajudado os cientistas a enxergar cada vez mais longe. A meta para o próximo século é bem ambiciosa: os pesquisadores querem achar as respostas para questões como o surgimento do Universo, quais os constituintes básicos da matéria, as forças que possibilitam a interação entre os átomos e a equação matemática que unifica gravitação e eletromagnetismo.
Na área da medicina, o grande desafio - a cura do câncer - continua incomodando os cientistas. Previsões feitas há cinco anos falharam. Na opinião do geneticista Ricardo Renzo Brentani, ‘‘houve otimismo demais em relação à engenharia genética e os pesquisadores acharam que o percurso entre o laboratório e a prateleira da farmácia fosse curto’’. As pesquisas, hoje, estão mais direcionadas na busca das mutações celulares que causam a maioria dos tumores.
Ainda na área de engenharia genética e biotecnologia, maquininhas do tamanho de uma molécula poderão vasculhar o corpo para diagnosticar problemas e liberar remédios na dose certa, em breve.
Entre os físicos, as maiores preocupações estão nos assuntos ligados à astronomia e à cosmologia. O astrônomo Jacques Lepine justifica esse empenho lembrando que ‘‘a Teoria da Relatividade e os fundamentos de mecânica quântica nasceram da observação dos astros’’. E o físico José Goldemberg emenda: ‘‘Tudo o que falta descobrir está muito longe da Terra, nos confins do Universo’’.

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