Celular dá mais autonomia a deficientes auditivos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de fevereiro de 2001
Luciano Augusto De Londrina 
Os avanços tecnológicos que permitiram o envio e recebimento de mensagens através do telefone celular está contribuindo para melhorar a qualidade de vida de portadores de deficiência auditiva em Londrina. O aparelho celular deu mais autonomia e independência para alguns deficientes auditivos se comunicarem com outras pessoas.
Em Londrina, estatísticas extra-oficiais dão conta de que existem cerca de 4,6 mil pessoas que sofrem de algum tipo de distúrbio auditivo. Uma delas é a professora desempregada Andréa Cristina de Oliveira Paiva, que comprou o celular em dezembro, assim que soube que uma amiga de Maringá estava usando o aparelho com sucesso.
O portador de deficiência auditiva não tem nenhum gasto adicional com o celular e também não precisa fazer qualquer tipo de adaptação. O toque sonoro é substituído pela função vibracall, que faz com que o aparelho vibre. O usuário portador de deficiência lê a mensagem e responde usando as teclas do próprio aparelho.
Andréia casou-se em abril do ano passado com o também portador de deficiência auditiva, Leonardo Geraldino de Paiva. Agora, segundo a sua irmã, Paloma de Oliveira, eles trocam até declarações de amor pelo celular.
Ela não teve nenhuma dificuldade quanto ao uso e o aprendizado foi muito rápido, afirma Paloma.
O uso do celular por deficientes auditivos foi tão bem sucedido que a Sercomtel Celular promoveu no final do mês de janeiro um curso de treinamento de introdução à Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) para os atendentes. De acordo com o presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira, o curso serviu para capacitar os atendentes a prestarem as informações básicas sobre os planos para habilitação e o funcionamento dos aparelhos e dos serviços. Além disso, o deficiente também sai do isolamento e é tratado da melhor maneira possível, como um outro cliente, complementa. O curso para os atendentes foi proposto pela funcionária Luciana Cotrim Teixeira, depois de notar que muitos deficientes estavam procurando informações sobre o aparelho celular.
O treinamento foi ministrado pela intérprete Rosana de Cássia Ribeiro, que atua como voluntária em Londrina. Segundo Rosana, existem apenas 82 profissionais dessa modalidade no Brasil.
A intérprete explica que há alguns deficientes, os que têm resíduos auditivos, que conseguem até mesmo ouvir o som no aparelho celular. O celular revolucionou a comunicação entre os deficientes e deu mais independência para eles, comemora Rosana. A maior barreira do celular é o preço do aparelho, aponta a intérprete, uma vez que muitos portadores de deficiência não têm emprego fixo.
Os portadores de deficiência auditiva de Londrina também contam com terminais de telefones públicos adaptados à eles. Nos oito terminais instalados em pontos de grande circulação de pessoas, como no Terminal Rodoviário e nos shoppings, o deficiente pode fazer ligação para outro terminal especial para eles, usando um teclado acoplado ao telefone, ou então solicitar a intermediação de um atendente da Sercomtel, quando o telefone chamado não conta com este dispositivo.


