Celular bem cuidado dura muito mais
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de fevereiro de 1999
Agência O Globo 
Que deixar o telefone celular cair na piscina é - na certa! - perda total, espera-se que todo mundo saiba. O que pouca gente sabe, de acordo com fabricantes, é da existência de uma série de cuidados que podem fazer aparelho e bateria durarem mais. Muitas vezes o mau uso - como esquecer o celular no porta-luvas quente como um forno ou uma recarga malfeita - leva a defeitos que não são cobertos pela garantia. Uma leitura atenta do manual já ajudaria bastante, avisam os responsáveis pelo atendimento ao cliente das empresas.
A primeira providência para evitar apoquentações futuras com o celular pode ser tomada antes da compra. Hilton Mendes, gerente de serviços da Motorola para América Latina, aconselha: deve-se comprar o telefone em lojas autorizadas pelo fabricante, qualquer que seja ele, e prestar atenção se os manuais e o certificado de garantia são em português.
Uma vez adquirido o aparelhinho, o primeiro cuidado passa a ser, de acordo com Cleverson Casteluci, gerente de serviços da divisão de telecomunicações da Gradiente, com o carregamento das baterias.
Casteluci explica que, ao se comprar um novo aparelho, deve-se dar três cargas de 24 horas cada, para se ter o máximo de aproveitamento da bateria. Quem não faz isso fica insatisfeito porque a bateria não tem o rendimento que diz o manual, diz.
O conselho de Luiz Fernando Savietto, gerente nacional de vendas da Ericsson, é o seguinte: para a bateria durar mais no dia-a-dia, deve-se sempre dar a carga máxima e usá-la até que essa carga chegue ao mínimo. Quando o usuário não faz isso, a bateria passa a durar menos tempo; é o chamado efeito memória.
Castelucci, da Gradiente, lembra que, das três gerações existentes - as baterias de níquel cádmio, de níquel metal hidreto e as de íons de lítio - as de primeira geração (níquel cádmio) são as mais suscetíveis ao efeito memória. Elas precisam ser descarregadas e recarregadas completamente duas vezes por mês. Agora, se o usuário usa muito o celular, esse procedimento precisa ser repetido uma vez por semana. As de metal hidreto não são tão suscetíveis - o procedimento pode ser feito uma vez a cada dois meses - e as de íons de lítio não sofrem o efeito memória.
Essas últimas são as de vida útil mais longa (duram duas vezes mais que as de metal hidreto, que por sua vez duram 30% mais que as de níquel cádmio). Cada geração tem baterias mais caras que as anteriores.
Os fabricantes aconselham usuários a devolver a postos autorizados a bateria que chegou ao fim para evitar danos ao meio ambiente. Nelson Lode, gerente de pós-venda da Nokia, diz que a empresa recolhe e guarda as baterias até que seja viável o reaproveitamento.
Outro conselho de Mendes, da Motorola, é comprar acessórios originais; segundo ele, conectores não-originais para recarregamento costumam danificar o aparelho e podem até causar curto-circuito. Neste caso, o defeito não é coberto pela garantia. De acordo com ele, os carregadores originais Motorola não deixam a bateria esquentar. A bateria constantemente aquecida degrada com o tempo.
Celulares e praia não combinam, afirma Casteluci. O aparelho dura menos se exposto ao calor e a bateria pode estragar. Sem falar da areia. O celular não é hermeticamente fechado. Savietto, da Ericsson, lembra que, a longo prazo, a maresia pode ser perniciosa para o aparelho: Como, em média, a cada dois anos o usuário troca de aparelho, os efeitos da maresia não chegam a aparecer, explica.
Além disso, umidade também não é boa para o telefone, já que ele pode oxidar. Também não há garantia para esse problema.
O usuário fica bravo, argumenta que o celular não poderia ter oxidado porque nunca molhou e se esquece que não tomou certos cuidados para evitar umidade - explica o gerente da Gradiente, lembrando que o hábito de esquecer o celular na pia do banheiro cheio de vapor, enquanto toma banho, também não é recomendável, já que o vapor pode se condensar e virar líquido.
Para quem acha que a capinha protege o celular das intempéries, um aviso: o acessório resguarda o aparelho apenas de arranhões. Defeitos provocados por quedas contínuas também não estão protegidos pela garantia e são considerados problemas decorrentes de mau uso. Mendes, da Motorola, adverte que quedas superiores a um metro e 30 centímetros são muito danosas. Em hipótese alguma o usuário deve tentar abrir o aparelho para consertar. Também perde a garantia.
Há também uma série de precauções a ser tomadas em nome da segurança do usuário. Quem usa marcapasso, por exemplo, deve perguntar ao médico se o equipamento está livre de influência do celular. Casteluci adverte que carros com muitos componentes eletrônicos podem sofrer interferência do celular. Também não é recomendado o uso em postos de gasolina. O risco de faiscamento é remotíssimo, mas pode acontecer.
Por fim, a manutenção do aparelho: nada mais do que um pano branco e limpo levemente umedecido com água.


