Os cavalos-marinhos, fascinantes animais em cuja espécie os machos são responsáveis pela procriação da espécie, ingredientes-chave da medicina tradicional chinesa, estão se tornando uma espécie ameaçada, devido à crescente demanda e à destruição de seu habitat marinho.
A situação dos cavalos-marinhos se tornou o centro dos debates de uma conferência internacional de quatro dias realizada esta semana para criar táticas globais de criação e conservação das 32 espécies conhecidas, tanto no cativeiro quanto na natureza.
Patrocinada pelo Shedd Aquarium de Chicago, que detém a maior exibição de cavalos-marinhos, a conferência reuniu especialistas de 13 países, na primeira oportunidade em que colaboraram aquários do mundo inteiro.
Dos mais de 20 milhões de cavalos capturados no mar ao ano, mais de 95% são utilizados na medicina tradiconal chinesa, enquanto o restante é vendido para aquários para intercâmbio e exibição pública.
A demanda mundial aumentou sensivelmente, particularmente na China, principalmente como resultado do crescimento econômico e do aumento da renda iniciada na década de oitenta.
‘‘Confrontados a uma população crescente e a recursos reduzidos, os pescadores da Ásia buscam oportunidades de aumentar sua renda e se voltaram de forma maciça aos cavalos-marinhos’’, afirmou a bióloga marinha Amanda Vincent, da Universidade McGill de Montreal (Canadá).
A pesca indiscriminada, aliada à crescente degradação e destruição do habitat dos cavalos-marinhos, levou à ‘‘diminuição numérica e também à diminuição do tamanho’’ dos animais, disse a especialista.
Estes animais têm sido usados para fins medicinais na China durante séculos. Na Europa, também foram usados com fins similares durante o império romano e no século XVIII eram indicados na Grã-Bretanha para aumentar a produção de leite materno.
Os cavalos-marinhos, que não possuem dentes, estômago ou costelas, mas podem engolir uma presa com o dobro do diâmetro de suas bocas, vivem em águas pouco profundas, tropicais e temperadas ao redor do mundo. Seus tamanhos variam entre um e 30 centímetros, e têm uma expectativa de vida de um a sete anos, de acordo com a espécie. É o macho que processa a gestação, que dura de dez dias a seis semanas e pode dar de duas a 1.500 crias, para o que é dotado de uma bolsa onde mantém os ovos depositados pela fêmea até que sejam rompidos.
Vincent co-preside o Projeto Cavalo-Marinho, um esforço conjunto entre pesquisadores e trabalhadores sociais que trabalham com pescadores em várias partes do mundo para promover a conservação dos cavalos marinhos e coordenar a pesquisa nos aquários.
A bióloga destacou que o esforço de conservação pretende garantir ‘‘um comércio sustentável a longo prazo’’, tentando obter ‘‘um equilíbrio entre consumo e conservação’’. ‘‘Se obtivéssemos uma proibição imediata do comércio, prejudicaríamos muitos pescadores que têm poucas alternativas para ganhar a vida e lançarão mão de outro recurso marinho ameaçado. Também privaríamos o povo chinês de um medicamento muito valioso’’, continuou.
O principal projeto da fundação é um santuário marinho de 33 hectares situado perto de Handumon, nas Filipinas, onde os cientistas ajudam os pescadores pobres a administrar suas colônias de cavalos-marinhos, disse Marivic Pajaro, da Fundação Haribon das Filipinas.
Ali, os machos gestantes são mantidos em jaulas especialmente desenhadas até que dêem à luz. Os machos adultos são cultivados, enquanto os recém-nascidos são retirados da jaula para que cresçam e se reproduzam.
Pajaro, que em janeiro começará a administrar um programa nacional de conservação de cavalos-marinhos em seu país, descreveu a reunião como ‘‘muito produtiva e informativa’’.
Ela também reafirmou a necessidade de desenvolver a cooperação interasiática, um tema discutido em um gabinete em Cebu (Filipinas), em julho passado, que reuniu praticantes da medicina tradicional, aquaculturistas, biólogos conservacionistas e sociólogos.

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