Capital intelectual: novo alvo dos crimes virtuais
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quarta-feira, 25 de maio de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - No submundo invisível do cibercrime, o roubo de capital intelectual corporativo - informações confidenciais de empresas - é atualmente o alvo predileto dos criminosos virtuais. Eles perceberam que pode ser bem mais vantajoso vender dados como segredos comerciais, planos de marketing, pesquisa e desenvolvimento para empresas concorrentes e governos estrangeiros do que ficar caçando internautas descuidados na rede.
Muitas vezes, acontece o roubo, mas as empresas não conseguem achar a origem e descobrir todos os dados que vazaram. Segundo o especialista em segurança da informação, Christian Bachmann, os principais focos de interesse dos cibercriminosos são projetos confidenciais e informações pessoais sobre donos das empresas. A ideia é obter as informações e depois usá-las contra as vítimas. Ele disse que uma situação comum é invadir um servidor da empresa e monitorar e-mails. Outro caso é entrar em computadores de funcionários e localizar senhas até ter acesso ao servidor.
Bachmann contou que um de seus clientes conversou com o contador por e-mail e teve os dados roubados. Essas informações foram usadas pelo sindicato dos trabalhadores que representava os funcionários da empresa para pedir aumento salarial e deflagrar uma greve.
O especialista citou algumas formas de prevenir problemas de roubo de capital intelectual. A primeira delas é realizar a atualização do sistema, ou seja, do servidor. Outra recomendação é criar uma rede separada para alguns servidores com o objetivo de ampliar a segurança, a chamada ''DZM''. A presença de um antivírus em todos os computadores é uma prevenção básica.
Além disso, outra dica importante é melhorar a política de senhas dos funcionários e ter uma rede ''VPN'', uma rede virtual privada e mais fechada, com criptografia e mais difícil de ser acessada por pessoas estranhas. A rede wireless (rede sem fio) também deve ter criptografia e autenticação.
''Algumas empresas têm mecanismos de segurança e outras esperam o problema acontecer para apagar o incêndio'', alertou o advogado especializado em tecnologia, Omar Kaminski.
Ele disse que, em algumas situações, os funcionários podem ''colaborar'' com o roubo de informações por terem má índole ou por descontentamento, quando querem se vingar da empresa. Há ainda casos que têm a presença do ''insider'' quando, através da internet, uma pessoa rouba informações por meio de um amigo que é funcionário da empresa. ''Muitas vezes a preocupação maior é em relação aos próprios funcionários'', disse. Há companhias que fazem um termo de confidencialidade com o empregado para que ele responsabilize pelas informações e, em caso de descumprimento, são impostas sanções como multas.
Kaminski disse que é fundamental as empresas terem uma postura pró-ativa e ''resguardar o capital intelectual que, muitas vezes, é mais importante que o capital físico''. ''O prejuízo pode ser tão grande a ponto de inviabilizar a atividade da empresa'', disse. Por isso, é importante fazer um levantamento do ativo intelectual dentro da própria empresa.
Para ele, a prevenção inclui políticas de segurança de informações, termo de confidencialidade, política de privacidade, uso de criptografia e cuidado para guardar dados pessoais de clientes.


