Nova York – A "Big Apple" ou "a cidade que nunca dorme" - sempre foi palco de grandes sitcoms televisivas e blockbusters do cinema. Entretanto, é no mundo dos videogames que uma das cidades mais emblemáticas do mundo moderno se destaca recentemente. Depois de uma hype gigantesca e muitas polêmicas, a publisher francesa Ubisoft entregou um dos seus games mais esperados dos últimos anos: Tom Clancy’s The Division. O game mistura com maestria e de forma inédita elementos de RPG com mecânicas de shooter em terceira pessoa, tudo isso num multiplayer em massa (MMORPG) muito interessante.
A reportagem da FOLHA já havia jogado o beta do game e, sinceramente, não tinha se empolgado tanto com a versão preliminar. Mas ao colocar as mãos no jogo finalizado – e depois de algumas horas de jogatina intensa – decreta: The Division requer um olhar atento dos jogadores. Não por acaso, o game atingiu US$ 330 milhões em vendas nos cinco primeiros dias do lançamento. Em torno de 1,2 milhão de pessoas jogaram o game simultaneamente no primeiro final de semana com os servidores em funcionamento. Neste review, estão algumas características que contribuíram com esse sucesso.

História envolvente
De cara, a introdução de The Division é algo genial, que prende os jogadores desde os primeiros minutos do game. Com imagens cinematográficas muito bem editadas, o jogo apresenta como um vírus de gripe foi espalhado pela metrópole durante uma Black Friday, através de notas de dólar contaminadas. Aí entra em cena a equipe especial "A Divisão", que precisa colocar ordem nesta Nova York sitiada e destruída, cheia de rebeldes, pessoas doentes, suja e completamente sem controle. Ao longo do game, junto às histórias principais e coleta de itens, é possível entender o que está acontecendo, com um enredo, de fato, envolvente.

Ambiente vivo e imersivo
Quando a Ubi lançou Watch Dogs, em meados de 2014, a expectativa era tão grande ou até maior do que em The Division. Entretanto, a frustração foi bastante grande, já que a cidade de Chicago, onde o jogo se passa, acabou sendo criticada por não ser tão viva, com pontos vazios e sem os detalhes gráficos que se esperava nos consoles de nova geração.
Na Nova York de The Division esses mesmos erros não foram repetidos. A construção da cidade é simplesmente fantástica, com detalhes em cada bairro, nas vielas, nos túneis do metrô, em hospitais abandonados etc. A cidade está cheia de entulhos, pessoas morrendo nas ruas, e cada movimento com seu agente é possível se deliciar com os pontos turísticos reais, as luzes de Natal nas árvores e até as mudanças climáticas repentinas. Tudo isso recheado com muito tiroteio ao encontrar rebeldes em diversos locais.

Multiplayer em massa, um prato cheio!
É claro que o jogador pode se aventurar sozinho durante todo o game, no modo single player. Mas o "tchan" de The Division, sem dúvida, é encarar as missões em mais jogadores, numa ação frenética e muito fácil de acontecer, já que os servidores estão em pleno funcionamento. Quando o gamer iniciar The Division, percebe que há muitos agentes on-line já em ação, o que torna muito fácil de criar equipes e partidas rapidamente.
A cereja do bolo está na chamada Zona Cega. No centro de Manhattan, onde o vírus agiu de forma mais agressiva, os jogadores on-line podem lutar um contra os outros, inclusive roubando itens dos parceiros de equipe. Não há ética entre os players neste momento, o que torna o ambiente tenso, nervoso, onde você está caminhando com sua equipe e, de repente, pode se ver em meio a um filme do Martin Scorsese, em que sobra bala pra todo mundo.

Gráfico e jogabilidade caprichados
Se durante o beta o pessoal ficou um pouco decepcionado com os gráficos de The Division, já que a apresentação na feira E3 de 2013 foi a principal base de comparação, o jogo final cumpriu seu papel. O game apresenta um gráfico bonito, bem polido, que preza pelos detalhes e uma luminosidade impressionante. Vale uma menção de destaque à trilha sonora perturbadora durante os combates, que lembra demais a do seriado The Knick, estrelada por Clive Owen e dirigida por Steven Soderbergh.
Em relação à jogabilidade, o temor dos jogadores é que essa mistura de shooter e RPG acabasse não se encaixando. Fato que a Ubisoft trabalhou bastante, já que a sinergia entre esses dois tipos de game ocorre naturalmente, o que deixa os combates caprichados, com bom nível de dificuldade, com problemas apenas quando ocorre no corpo a corpo, que poderiam ter sido mais trabalhados. Um fato negativo é que com o tempo as missões se tornam repetitivas, já que os inimigos são muito similares. Será que leva o "Game of The Year"? Difícil dizer. Mas no "Top 5", sem dúvida alguma.

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