Campo conectado


Mie Francine ChibaReportagem Local
Mie Francine ChibaReportagem Local
Ainda que o sinal no campo não seja tão bom quanto na área urbana, moradores acham mais prático acessar a internet pelo celular
Ainda que o sinal no campo não seja tão bom quanto na área urbana, moradores acham mais prático acessar a internet pelo celular | Shutterstock



O número de domicílios conectados por banda larga fixa continua estável, mas o de domicílios que se conectam via internet móvel cresce no Brasil. A informação é da pesquisa TIC Domicílios 2016, publicada na última semana. A banda larga móvel está presente em 9,3 milhões de domicílios, e é a principal maneira de acessar a internet para um quarto dos domicílios com acesso à web. No ano anterior, este índice era de 22%. A proporção de domicílios que tem a rede móvel como principal forma de conexão é maior nas classes D e E, na região Norte e nas áreas rurais do País.

Na zona rural, a banda larga móvel é a principal maneira de se conectar à rede para 37% dos domicílios, contra 25% na área urbana. Em 2015, a proporção era de 32% para 21%. Na área rural, o telefone celular é o dispositivo mais utilizado para acesso à web. Quase 70% dos usuários de internet nessas regiões utilizam o smartphone como forma de conexão exclusiva.

O fato de a banda larga móvel atingir maior percentual nas áreas rurais mostra que a forma de conexão tem vantagens para a população com mais dificuldade de acesso, opina Fábio Senne, coordenador de projetos de pesquisa do Cetic.br. "São regiões onde o provimento via cabo, ADSL, não chega ou não tem o mesmo custo. Para as áreas rurais em que o sinal 3G e 4G já chega, acaba sendo a forma principal de acesso."

Wanderlei Neiva, gerente de Planejamento de Marketing e Relacionamento, e Nilso Paulo da Silva, diretor comercial da Sercomtel, comentam que a internet móvel é a principal alternativa para as regiões rurais por ser mais "confortável" para os usuários, que precisam frequentemente se deslocar pelas propriedades.

Computador abandonado
Presidente da Associação de Moradores de Paiquerê (Distrito de Londrina), Josias Pereira da Silva tem computador e internet em casa, mas o acesso é muito feito pelo celular. "É mais fácil, porque a gente não tem muito tempo de ficar parado", comenta. "Tenho computador, mas ele fica abandonado. A gente perdeu o costume e não tem muita experiência em mexer." Para as pessoas que moram em propriedades rurais, ele também afirma que a internet pelo celular é prática. "Às vezes a pessoa está na roça e não tem tempo de voltar para casa." Apesar de o sinal de internet no dispositivo não ser muito bom, ele afirma que não dá para imaginar vida sem internet. "É muito importante."

Para o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina, João Mendonça, de fato, muitos moradores da região rural de Londrina veem mais facilidade de acesso à internet pelo celular. "Até mesmo no centro da cidade", argumenta. Mas ainda há uma grande parcela de moradores das zonas rurais que não possuem internet. "Queremos que essa condição aconteça para todos."

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Inclusão
A secretaria cobra por uma cobertura e qualidade de sinal maior na região rural da cidade, diz o secretário. Na sua visão, a medida contribuiria para o desenvolvimento rural de Londrina como um todo, partindo da inclusão digital de seus moradores. "Cursos, turismo rural, emissão de Nota Fiscal pelos produtores, "tudo passa por uma boa internet", diz Mendonça.

Obrigatoriedade de atendimento às zonas rurais
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) estabeleceu às prestadoras de Serviços de telecomunicações vencedoras do processo licitatório do Edital 004/2012/PVCP/SPV compromissos de abrangência nas áreas rurais e regiões remotas com a finalidade de permitir a inclusão digital à população brasileira. Sendo assim, as operadoras têm a obrigação de ofertar serviços de voz e dados para áreas até 30km dos limites da sede dos municípios. No Paraná, a operadora determinada a atender a zona rural é a Tim. Até dezembro de 2015, a empresa e as demais operadoras tinham o compromisso de atender pelo menos 80% dessas áreas em todos os municípios brasileiros com velocidade mínima de 256 Kbps de download e 128 Kbps de upload. Nas escolas públicas rurais, a exigência é de 1 Mbps de download e 256 Kbps de upload até dezembro de 2017.

Desde 1993, entretanto, a Sercomtel ressalta já possuir Estações Radiobase nas sedes dos distritos rurais de Londrina, que proveem serviço de voz e dados aos usuários dentro de um raio de 20km, afirmam os gestores Nilso Silva e Wanderlei Neiva. O município de Tamarana, ex-distrito de Londrina, foi atendido em 2009. De acordo com eles, todos os planos de telefonia celular da operadora são ofertados nessas regiões. A topografia acidentada, entretanto, pode representar um problema para o sinal de internet e voz. Na área rural de Londrina, a Tim afirma possuir cobertura 3G nos distritos de Warta, Lerroville, Guaravera, Irerê e Paiquerê.(M.F.C.)

Internet prestada por meios móveis
"É importante esclarecer que existe uma diferença entre internet móvel e internet prestada por meios móveis", observou a Tim, por meio da assessoria de imprensa. Nas regiões rurais, afirma, são utilizados os meios móveis para o fornecimento de internet. "A internet prestada por meios móveis refere-se àquela que utiliza radiofrequências como meio de provimento de cobertura. Se for necessário o uso de antenas externas para ampliação da recepção de sinal, este serviço denomina-se SCM – Serviço de Comunicação Multimídia."

Segundo a prestadora, a utilização de meios móveis para o fornecimento de internet nas zonas rurais é uma forma de garantir "uma maior abrangência de serviço de forma eficiente, especialmente quando comparada com grandes centros urbanos, onde a infraestrutura fixa é mais presente". "Neste sentido, as antenas de telefonia, que estejam em áreas rurais, urbanas ou semiurbanas, são equipamentos importantes para garantir cobertura nessas regiões, mesmo quando a rede fixa de telefonia não está presente." A operadora informa ter instalado cerca de 500 antenas voltadas à expansão da rede 3G no Paraná em 2015 e 2016.(M.F.C.)



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