Cadê o passarinho?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de novembro de 1996
Ana Maria Mejia 
Os parques nacionais argentino e brasileiro têm aproximadamente 240 mil hectares de matas nativas. Essas matas preservam a vida de centenas de pássaros, alguns ainda pouco conhecidos dos ornitólogos e pesquisadores dos dois países. Nestas matas vivem e circulam quase metade dos pássaros do Paraná e 76% das espécies da província de Misiones. Pelo menos 157 espécies de aves escolheram este ambiente para construir seus ninhos e se reproduzir.
Os pássaros desempenham papel importante no equilíbrio da natureza. Os beija-flores se alimentam e polinizam as flores. Os tucanos dispersam as sementes permitindo a reprodução de várias plantas. Urubus se alimentam de restos. Pica-paus contribuem para o controle biológico de pragas etc.
Um grupo de pesquisadores argentinos constatou que a área tem 44% da avifauna argentina. Temos 53 espécies ameaçadas residentes nesta região, ressalta o ornitólogo Miguel Castelino. Duas delas, a jacutinga (Aburria jacutinga) e o macuco (Tinamus solitarius), considerados em perigo, pela Birdlife International reapareceram.
A jacutinga era abundante no extremo nordeste da Argentina, este do Paraguai, e sudeste brasileiro. Mas pouco se conhece de seus hábitos. Esta ave gosta de viver em bandos com quatro a 16 indivíduos, se alimentam de frutos e sementes e se deslocam de acordo com a estação, principalmente para acasalamento e reprodução. Preferem as alturas médias( entre quatro a seis metros) para construir seus ninhos. A caça indiscriminada e a destruição de áreas extensas de florestas provocaram sua inclusão como espécie ameaçada de extinção.
Maior observação O levantamento da avifauna do Parque Nacional Iguazú (Argentina), com 54 mil hectares, possibilitou a identificação de 448 espécies, das quais dez não foram avistadas na região na última década. Outras 20, ainda deixam dúvidas pois as características ambientais se mantiveram, mas as aves não foram mais vistas.
Cautelosos, os pesquisadores defendem a necessidade de maior observação. Os dados servem para conferir a evolução da avifauna ligada a um ambiente protegido nos limites do parque, mas que sofreu profundas alterações fora, resumem.
Os pesquisadores argentinos Carlos Saibene, Miguel Castelino, Nicolas Rey, Jose Calo e Justo Herrera compilaram as espécies de aves desde o primeiro registro oficial feito por Moisés Santiago Bertoni, em 1913 até as últimas pesquisas de campo realizadas, em várias etapas, entre os anos 82 e 93.
O resultado é o Inventário de Aves do Parque Nacional Iguazú, Misiones, editado pela Livraria argentina L.O.L.A especializada em ciências biológicas, antropologia, história e ciências da terra.


