CADA UM COM SEU PC - Um computador para cada dois brasileiros
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
Luciano Augusto <br> Reportagem Local 
Nos anos 1980, o computador pessoal era uma tecnologia dominada por uma minoria de especialistas. Nos anos 1990, a disseminação dos cursos de informática começou a demolir a barreira que separava o homem da máquina que revolucionou a vida no Planeta. Neste milênio os computadores pessoais passaram, definitivamente, a integrar o cotidiano. A 22 Pesquisa Anual do Uso de Informática, da renomada Fundação Getúlio Vargas (FGV), confirma a escalada e adianta que já no primeiro trimestre do ano que vem haverá um computador para cada dois brasileiros.
''Essa proporção era esperada, mas mais para a frente. No entanto, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou para baixo, no Censo, o número de pessoas no País, a relação de um computador a cada dois habitantes já vai acontecer no início do próximo ano'', analisa o coordenador do estudo e professor da FGV, Fernando Meirelles. Segundo o levantamento, há 85 milhões de computadores em uso no País, considerando os ambientes domésticos e de trabalho. Só no ano passado foram vendidos 14,6 milhões de PCs, ou seja, um a cada dois segundos. ''De 2007 a 2010, dobrou o total de computadores do País.''
Tais números mostram que o Brasil possui 44 computadores a cada grupo de 100 habitantes, o que nos posiciona acima da média mundial, que é de 36 PCs a cada 100 pessoas. Meirelles afirma que a associação de três fatores explicam este cenário: queda do custo do computador; aumento do poder aquisitivo da classe C e do acesso ao crédito; maior disposição para se ter um computador, ou seja, a ''percepção de utilidade'' da máquina.
Ofertas
Basta uma olhadela nas vitrines das lojas, tanto reais quanto virtuais, para confirmar a pesquisa da FGV. Ofertas de computadores - de mesa (desktop) ou portáteis (notebooks) - se multiplicam numa infinidade de marcas, configurações e formas de pagamento. Hoje, existem PCs novos por menos de R$ 700,00, com parcelas fixas.
Marcelo Ontivero, diretor-proprietário das lojas Móveis Brasília, rede londrinense com 47 anos de história, revela que ''informática é um dos carros-chefes da empresa''. Ele reforça que a facilidade de crédito, os incentivos fiscais de redução de PIS e Cofins para as indústrias e o incremento da renda da população impulsionam as vendas. ''O consumidor encontra ofertas que dividem o valor à vista em até 12 vezes sem juros'', comenta. Ontivero destaca ainda que a entrada de mais indústrias no mercado contribuiu para acirrar a concorrência e derrubar os custos.
E os negócios vão bem tanto na região central quanto nos bairros. Nos Cinco Conjuntos (Zona Norte), o vendedor da loja Móveis Brasília da avenida Saul Elkind, Diego Tirolli, aponta que ''a procura tem se mantido muito forte''. A clientela é variada, com preponderância de jovens. ''Eles entram, escolhem e o pai vem tirar e pagar'', comenta.
O estudante Alisson Antônio, 16 anos, por exemplo, esteve na loja para comprar um notebook. Ele já tem um desktop mas quer um mais moderno, ''com tudo que tem direito''. ''Quero um portátil porque posso levar para onde quiser'', argumenta. Quem está feliz com a compra é Vitória, 9, que vai herdar a máquina que pertencia ao irmão.
Proprietário da Londritech Informática, Eduardo Basani reforça que o momento é de bons negócios, na loja física e também na virtual. Primeiro por conta das facilidades dadas aos consumidores. Segundo, por que os computadores precisam, no mínimo, serem atualizados ou substituídos a cada três ou quatro anos. E aproveita para dar uma dica importante. ''Os softwares se atualizam rapidamente e os computadores têm que seguir isso. Por isso, oriento o cliente para que invista numa boa placa-mãe, porque é ela que vai possibilitar as futuras alterações nas configurações.'' (Com Agência Estado)


