Edson Higo do Prado
Especial para a Agência Estado
Mistérios que intrigam os astrônomos começam a ter possibilidade de ser desvendados. Somente neste ano, a comunidade científica avançou rapidamente em novas descobertas. É um período movimentado em que antigos conceitos são derrubados, números são refeitos, novas teorias ganham corpo. Tudo isso está sendo possível graças às novas tecnologias de observação que aprimoram a capacidade de pesquisa dos cientistas e ajudam a revolucionar a visão do cosmos.
Em abril, Paul Butler, do Observatório Australiano, e Geoffrey Marcy, da Universidade Estadual de San Francisco, anunciaram a descoberta de três planetas orbitando a estrela Upsilon Andrômeda, a 44 anos-luz da Terra. Na verdade, um dos planetas já era conhecido desde 1996.
Em julho, uma equipe de astrônomos europeus e norte-americanos pode ter descoberto o 19º planeta fora do sistema solar. Localizado a 56 anos-luz da Terra, o corpo planetário gira na órbita da estrela Iota Hor, na constelação Horologium, que é visível no Hemisfério Sul. Sua massa é 318 vezes maior que a da Terra.
A descoberta somente foi possível a partir do Observatório Europeu Austral (ESO), instalado no Chile, e mesmo assim indiretamente. Os cientistas detectaram oscilação na estrela Iota Hor causada pela atração gravitacional entre os dois corpos. Este telescópio faz parte de um conjunto de quatro aparelhos gigantes que estarão funcionando até o próximo ano, no Chile. A partir deles poderão ser identificados corpos celeste com uma luminosidade 4 bilhões de vezes menor do que a observável a olho nu. Com esse sistema os astrônomos aprimoram a capacidade de observação do universo. Atualmente, apenas dois telescópios de última geração estão em funcionamento: Keck (EUA) e Mauna Kea (Havaí).
Nos últimos dez anos, telescópios possantes foram colocados em órbita da Terra. Dessa maneira, os cientistas conseguem melhorar a investigação do cosmo sem as inconveniências da atmosfera (partículas em suspensão, luminosidade, etc.) e das luzes das cidades. O primeiro deles, o Hubble, foi lançado em 1990. O nome homenageia um dos mais importantes astrônomos do século XX, Edwin Hubble. Na década de 20, ele estremeceu as bases da astronomia ao perceber que a Via Láctea é apenas uma entre milhões de galáxias e não o cosmo na sua totalidade, como se acreditava até aquela época. Mais atrevido ainda, Hubble demonstrou que o universo está em expansão, ou seja, ele enunciou a teoria do Big Bang.
O telescópio Hubble, como o próprio astrônomo, tem ajudado a avançar as pesquisas astronômicas. Foi, por exemplo, com suas captações que astrônomos puderam calcular a quantidade de galáxias que se espalham pelo universo: 125 bilhões. Ou a idade do universo: 12 bilhões de anos e não 14 bilhões como era calculado.
Outros dois telescópios orbitais foram lançados recentemente pela Nasa, o Fuse e o Chandra. Com eles, os cientistas esperam colher melhores dados sobre a origem e formação do universo.
Novos telescópios estão sendo preparados, como o Gêmini (2001), que vão reforçar a corrida em busca de planetas fora do sistema solar. Os astrônomos já encontraram 19 corpos. Mas possibilidade de vida extraterrestre ainda é hipótese. Por esse motivo, os cientistas também procuram vestígios em programa como o Seti, que garimpa sinais inteligentes em seus radiotelescópios. Esse projeto conta com ajuda de milhares de internautas. No momento de inatividade do computador, um software especial, que funciona como proteção de tela, analisa sinais captados (leia texto nesta página).Com a ajuda de telescópios gigantes, os cientistas descobrem agora no cosmos o que a Humanidade nunca soube
Nasa/ReproduçãoFoto feita por telescópio do Observatório Espacial Chandra, em 20 de setembro, mostra a Supernova E0102-72, descoberta numa galáxia a 190 mil anos-luz da TerraNasa/ReproduçãoOutra foto feita por telescópio Observatório Espacial Chandra mostra uma radiação jorrando de um quasar localizado a cerca de 6 bilhões de anos-luz da Terra

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