ReproduçãoA apresentação do F-22, futuro avião de combate dos Estados Unidos, acontece em um momento em que o custo crescente de sua construção, que o Ministério da Defesa considera prioritária, vai de encontro a um Congresso empenhado em evitar qualquer excesso de gasto estatal.
Recentemente, vários especialistas manifestaram suas dúvidas sobre a utilidade desta aparelho ultra-sofisticado em um período de pós-guerra fria, no qual nada parece ameaçar - pelo menos em um futuro próximo - a segurança dos Estados Unidos, última superpotência militar do planeta.
O F-22, batizado de ‘‘Raptor’’, é um reator de apenas um lugar, repleto de equipamentos eletrônicos, que escapa à detecção do radar (furtivo) e está dotado de uma extrema capacidade de manobra a velocidades supersônicas, afirma a Força Aérea norte-americana.
Com este aparelho, os Estados Unidos poderão assegurar ‘‘a supremacia aérea’’ em todos os palcos de operações no mundo além do 2020, corrobora o Ministério da Defesa.
Estão previstas três versões deste novo avião de combate: uma destinada a substituir o antigo caça F-16 da Força Aérea norte-americana; outra para ficar no lugar do F/A da força aeronaval; e a terceira para substituir o V-8D (caça de ataque de decolagem vertical) utilizado pela infantaria da Marinha.
O grande número de peças e equipamentos comuns aos três modelos tem o objetivo de reduzir de forma considerável o preço do aparelho, estimado em 30 milhões de dólares. Contudo, como o Pentágono quer encomendar milhares, o custo total do programa saltaria para 200 bilhões de dólares, o mais alto da história.
Por outro lado, os mil exemplares do F/A-18 Super Hornet da Marinha, que é uma versão modernizada do F/A-18 C/D, custariam 85 bilhões de dólares.
O preço total dos três programas chegaria a 355 bilhões de dólares, a serem pagos ao longo dos próximos 20 anos.
‘‘Não temos meios para pagar isto’’, advertiu o deputado republicano Curt Weldon, presidente da subcomissão da Câmara para a pesquisa e o desenvolvimento militar.
‘‘Se levarmos em conta as ameaças externas, não se justifica a necessidade de todas essas armas’’, ressaltou Richard Davis, analista de defesa do General Accounting Office, uma espécie de escritório de contas do Congresso.
Até agora, já foram gastos 17 bilhões de dólares com o F-22, que conta com o apoio tanto do Presidente Bill Clinton como de Newt Gringrich, um dos líderes republicanos do Congresso e presidente da Câmara de Representantes.
Este último foi ao estado da Geórgia, seu reduto eleitoral, para assistir ao lançamento do Raptor, que contou com um show de raios laser, música pop, benção do capelão da Força Aérea e um rosário de discursos de personalidades que giraram em torno do tema habitual: ‘‘Os Estados Unidos são o melhor’’.

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