Búzios africano pode ser jogado pelo computador
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de dezembro de 1996
Danielle Brito<br>Especial para Folha Informática 
Místicos e curiosos terão motivo para se debruçar horas em frente à tela do computador. O professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Múleka Dítoka Wa Kalenga lançará no mercado, em breve, o MDKIF.53 - Máquina Distribuidora do Conhecimento. Trata-se de um software que reproduz o jogo de búzios africano, obelê ifa, em computadores potentes com mais de 8 megas. Além dos búzios, o programa funciona como um banco de dados, principalmente na áreas educativa e de biblioteconomia.
O projeto é fruto da tese de doutorado em Ciência da Cibernética que o professor defendeu na ECA - Escola de Comunicação e Artes - da Universidade de São Paulo em 1989. Múleka é africano da cidade de Shba no Zaire e vive no Brasil há 15 anos.
Foram quatro anos de pesquisa e armazenamento de informações para chegar até o MDKIF.53. De acordo com o professor, dois aspectos foram levados em consideração. No aspecto científico analisei o jogo de búzios e o livro do destino egípcio. No prático verifiquei que a aplicação das equações se aproximava muito da linguagem artificial da máquina.Isto possibilita que o próprio sistema tome decisões, explica Múleka.
O jogo de búzios do computador é semelhante ao tradicional. Questiona-se sobre um dos oito temas disponíveis até chegar a mensagem final. O jogo não tem compromisso com adivinhações. Do ponto de vista científico não é possível existirem previsões. O ritual do jogo é uma estratégia para esconder a ciência, afirma o professor. As mensagens trazidas pelo jogo são, segundo ele, padrões de problemas escondidos no subconsciente das pessoas. São arquétipos que podem estimular o indivíduo a entender e resolver o problema, argumenta.
De acordo com o professor outra vantagem é que o sistema permite a interatividade entre máquina e usuário.O aluno pode criar o seu próprio programa. A entrada de 3 bits para processar palavras de 5 bits é capaz de armazenar um número infinito de informações. O único limite é o nosso conhecimento, garante.
Professor de Teoria da Comunicação e da Informação, Múleka destinou um forte traço ideológico ao seu trabalho. O meu objetivo é demonstrar que os negros africanos, desde o Egito, construíram máquinas de processamento inteligentes antes dos computadores modernos, completa.


