Burocracia impede ONG de receber micros de fora
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quarta-feira, 30 de abril de 1997
Agência Estado 
Idealizador do Comitê de Democratização da Informática, Rodrigo Baggio sempre teve de se equilibrar sobre uma apertada agenda para dar conta dos compromissos da ONG e cuidar de sua subsistência, garantida graças aos cursos de informática que costuma dar para funcionários e executivos de empresas. Desde fevereiro, uma ótima notícia fez com que este carioca, de 28 anos, respirasse mais aliviado: sua aceitação como membro da Ashoka, uma ONG internacional que patrocina o trabalho de empreendedores sociais. Com isso, Baggio vai receber um salário por dois anos para tocar suas atividades à frente do CDI, de forma a torná-lo auto-suficiente e garantir o salário de seus membros no futuro. A Ashoka patrocina cerca de 700 pessoas no mundo.
Ele foi para Washington assinar o acordo com a entidade e aproveitou a oportunidade - e a ajuda dos colegas da ONG americana - para fazer muitos contatos. Fiquei surpreso porque pensava que iria aprender mais, mas acabei descobrindo que nosso trabalho está bastante avançado, garante ele. Acabei dando várias palestras e ensinando mais do que aprendi.
Ele esteve também no Media Lab, do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e conversou com o cyberguru Nicholas Negroponte. Ele ficou bastante interessado no nosso projeto. Disse que talvez viesse novamente ao Brasil no meio do ano e gostaria de conhecer mais de perto o que estamos fazendo.
Desses contatos com ONGs e empresas, Baggio conseguiu o apoio e promessas de doação de centenas de micros, mas esbarrou na burocracia da alfândega brasileira. Teria de esperar muito tempo e ainda pagar para conseguir trazer estes micros para montar escolas em favelas daqui, explica, desanimado, o coordenador do CDI.
Por intermédio do programa Comunidade Solidária, o Ministério da Ciência e Tecnologia prometeu interceder entre as empresas brasileiras ligadas à Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletro-Eletrônica), pedindo doações de micros usados, para compensar a impossibilidade de trazer os equipamentos estrangeiros. Até agora, o CDI não recebeu nenhum micro. Enquanto isso, os parceiros americanos estariam, segundo Baggio, com salas lotadas de micros 486 à espera de quem os quisesse.
Quem quiser doar micros para o CDI pode ligar para a central, no Rio de Janeiro, no telefone (021) 542-1436.
CDI - www.ibase.org.br/cdi


