Bug do milênio vira negócio lucrativo
Enquanto empresas e organizações de todo o mundo lutam contra o tempo tentando impedir o colapso de seus sistemas no ano 2000, centenas de fabricantes de software, computadores e firmas de consultoria estão obtendo saborosos lucros, apresentando soluções para o problema. A lista dessas empresas parece o quem é quem do mundo da computação: companhias como a Oracle, IBM, NCR, SAP, Compaq e Computer Associates estão nadando em dinheiro oferecendo análises e soluções para novos e antigos clientes.
Experts nos Estados Unidos estimam que o custo para solucionar a crise do bug do milênio em todo o mundo será algo entre US$ 500 e US $ 600 milhões. Esse é o preço de soluções que permitirão que os velhos software e hardware compreendam que os dois últimos dígitos da data não se referem ao ano 1900, e sim ao ano 2000. A solução do problema é um desafio gigantesco.
Um grande sistema de computação deve ter ao redor de 50 milhões de linhas de código, assinala Bruce Hall, diretor de pesquisas do grupo Garnter, com sede em Connecticut. De cada cinquenta linhas de código há pelo menos uma que trabalha com base em um cálculo de data de qualquer tipo. A maioria dessas linhas, ao serem corrigidas, pode apresentar problemas, diz ele.
As empresas que podem solucionar o problema estão empenhadas atualmente em uma feroz concorrência, brigando por alguns dos milhões que será preciso gastar para enfrentá-lo. Estes provedores de soluções visam setores específicos do mercado explorando áreas únicas de expertise - e os custos envolvidos são enormes.
Tomemos como exemplo o gigante norte-americano de produção de software Oracle, que recentemente anunciou duas novas soluções. A Oracle tem na sua mira empresas de porte médio mas entre seus clientes estão também, algumas das mil maiores companhias dos Estados Unidos.
O primeiro pacote de soluções da Oracle para empresas médias compreende software, consultoria e treinamento a um preço a partir de US$ 300 mil. O segundo pacote está voltado para grandes companhias que já lutam contra o bug mas, apesar do esforço, não conseguirão resolver o problema sozinhas a tempo. Este pacote sairá muito mais caro que o anterior.
Também a NCR Corp. anunciou recentemente um novo serviço de análise para organizações em nível mundial. A companhia planeja trabalhar com os departamentos de tecnologia informática das empresas clientes para determinar o quanto progrediram na adaptação de seus sistemas de computação de modo a garantir que tudo funcionará sem problemas no dia 1º de janeiro de 2000.
À medida que se aproximar o ano 2000, os custos de assistência qualificada não farão outra coisa a não ser subir, advertem os analistas do ramo. O Grupo Gartner de Connecticut estima que haverá um aumento geral dos custos da ordem de 20% a 50% no próximo ano, à medida que a inquietude em relação aos aspectos ainda não resolvidos se transforme em pânico e a assistência qualificada comece a escassear.
Mas estes custos serão minúsculos em comparação com as despesas que terão de arcar as empresas que não enfrentem o problema do bug do milênio.Ilustração/Claudio DuarteCusto da assistência qualificada deve subir entre 20% a 50% no próximo anoJay Dougherty
Deutsche Presse Agentur





