Se não for corrigido antes de 31 de dezembro de 1999, o bug do milênio, também conhecido como Y2K, pode causar uma catástrofe em grandes bancos e conglomerados gigantescos. Só que essas empresas já estão trabalhando para eliminar o problema e assim romperão o milênio sem colapso. As pequenas e médias empresas, porém, ainda estão longe de começar a atacar o bug. Com um agravante: menos de 3% das empresas brasileiras de pequeno e médio porte dispõem de computadores e programas com tecnologia atualizada, capaz de suportar uma correção simples para o bug. E sem a correção, quem depender de datas para a sua atividade vai ter de fechar as portas - com sorte, poderá reabrí-las muito tempo depois, desde que gaste muito dinheiro e reconquiste seu mercado.
Os técnicos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidade que preparou uma cartilha para ensinar as empresas a enfrentar o desafio de escapar do Y2K, lembram que não há como empurrar o problema para debaixo do tapete. Impreterivelmente, na virada de 1999 para o ano 2000 todos os computadores, robôs, equipamentos e máquinas diversas (incluindo eletrodomésticos) que usem chips, principalmente os fabricados antes de 1996, vão passar a trabalhar errado quando lidarem com datas, pois lerão o ano 2000 como se fosse 1900. Até as atividades mais simples de uma empresa pequena poderão se tornar inviáveis, desde a elaboração de folhas de pagamento até controles de estoques, de contas a pagar e a receber, etc.
Segundo a CNI, até alguns microcomputadores 486s não suportam correção simples - os da linha 386 e anteriores, obviamente não aguentam. Na verdade, destacam os técnicos, há até mainframes, que são computadores de grande porte, que não podem ser corrigidos. Nestes casos, a solução é mesmo a substituição da máquina. Os técnicos reconhecem que os custos envolvidos na correção assustam, e que por isso mesmo as empresas menores vêm se mostrando refratárias em encarar o problema logo. Mas, frisam, pior que o custo agora será o prejuizo posterior, se o bug não for eliminado.
Eles alertam também que quanto mais a empresa adiar as medidas necessárias à correção, mais caro terá de pagar para evitar o Y2K. Em 1995, citam, corrigir uma linha de um programa de computador para tirar o bug da data custava cerca de US$ 0,70. Em 97, o custo já tinha pulado para algo entre US$ 1,30 e US$ 2,25. Este ano está custando US$ 3,20 e no ano que vem, quando o problema estiver esmurrando a porta, US$ 5,00.

mockup