A inovação no mundo digital pode trazer conforto e benefícios a muitos setores de atividade. Esta é a opinião de 95% dos brasileiros, segundo a pesquisa "Barômetro da Inovação Global", da Penn Schoen Berland, patrocinada pela Intel. Por outro lado, metade dos entrevistados diz não se sentir confortável em deixar empresas terem acesso às suas informações bancárias para criarem tecnologias e serviços inovadores.
"Os brasileiros apresentam um perfil bastante atípico, de otimismo cauteloso. Entre os países emergentes, o Brasil é o que apresenta um perfil mais parecido com o que encontramos em mercados já desenvolvidos", comenta Fernando Martins, presidente da Intel Brasil. "De uma forma geral, o brasileiro acredita no poder da tecnologia em gerar um impacto positivo em sua vida e na sociedade, mas também tem algumas ressalvas quanto a algumas questões, como por exemplo, o uso de informações pessoais por corporações ou serviços".
Na opinião do advogado especialista em Direito Digital, Fernando Peres, a desconfiança do brasileiro é justificada, e este medo vai além do uso indevido de dados pessoais para a prática de crimes como fraude, quando do vazamento de informações. Mas também tem relação com o uso além do prometido dos dados pessoais dos clientes pela própria empresa, para finalidades como a análise de seus hábitos.
"Existe uma empresa alemã que, ao fazer análise de crédito, analisa o perfil no Facebook do solicitante de crédito. Se a quantidade de amigos devedores for grande, o crédito é negado", exemplifica Peres. "As pessoas temem não só o crime cibernético, mas temem que as empresas usem suas informações para mais do que prometem. Apesar de a legislação proteger a privacidade, tecnicamente, não há nada que impeça o uso indevido de dados pessoais."
Este medo se intensificou recentemente, quando um agente da NSA (National Security Agency), dos EUA, abriu uma polêmica de espionagem norte-americana que envolvia, inclusive, brasileiros. Como já foi falado pela reportagem da FOLHA, não é novidade que os EUA têm acesso a diversas informações que trafegam pela web.
O advogado ressalta que, muitas vezes, o uso indevido de dados pessoais ocorre com a anuência do próprio usuário. Isso acontece por meio dos famosos documentos de "Políticas de Privacidade" que poucos leem antes de criar um perfil em uma rede social, por exemplo.

Acidentes
De qualquer forma, toda empresa é responsável pelos dados de seus clientes, reitera Peres. Acontece que, na web, a vulnerabilidade das informações diante de ataques cibernéticos é muito maior. "Empresas dependentes de tecnologia têm vulnerabilidade maior. A grande maioria dos sites na internet é vulnerável."
A vulnerabilidade também pode estar nos próprios funcionários da empresa. "Estima-se que dois terços dos funcionários que saem de uma empresa, levem consigo informações delicadas, como cadastro de clientes, modelos de documentos, projetos, etc." Além disso, há empresas que armazenam informações sobre clientes na internet com o intuito de compartilhar com determinadas pessoas. Entretanto, com uma simples pesquisa no Google, é possível verificar que muitas destas informações ficam esquecidas no mar da web, e acessíveis para qualquer pessoa.
"É essencial que toda empresa tenha uma 'Política de Segurança da Informação', que irá organizar e direcionar quais as ações de segurança deverá adotar para proteger essas informações."

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