A pernambucana Simone Bezerra da Silva, de 19 anos, estava desempregada quando aceitou distribuir folhetos promocionais de um curso de informática na Praia de Boa Viagem, em Recife. Numa pausa para o almoço, foi passear com as amigas num shopping.
O alemão Edgar Datene, de 37 anos, estava em Recife a passeio, aproveitando sua quinta visita ao Brasil. No roteiro turístico, incluiu uma pausa para compras num shopping.
Os fragmentos do que viria a ser um discurso amoroso se juntaram quando Edgar abordou Simone num corredor do shopping com uma proposta de trabalho que, à primeira vista, parecia indecentíssima. Encantado com a morena de 1,65m e 49 quilos, ele queria gravar um vídeo com imagens da pernambucana, para transformá-la em ‘‘garota de programa’’ de computador.
Durante a estada em Recife, entre uma caipirinha e outra, Edgar teve a idéia de criar uma versão ‘‘adulta’’ de um tamagotchi, criatura que vive num videogame, mas que parece ter vida própria, fruto de uma invenção japonesa. Para ‘‘viver’’ o tamagotchi humano pensou numa beldade brasileira, com pele morena, muitas curvas, bumbum abundante (que aliteração!), cabelos cacheados... exatamente como Simone. Assim, quando a encontrou no shopping, não pensou duas vezes.
Com o pouco que sabia de português, convidou a moça para jantar numa churrascaria (com a presença da mãe, para assegurar a lisura do contrato de trabalho) e tentou explicar seu projeto. Mesmo sem entender direito, a moça percebeu que não se tratava de um oportunista e aceitou o trabalho.
Seis meses depois, era lançado no mercado alemão o CD-ROM ‘‘Gotchi-Girl’’, espécie de game em que o jogador interage com uma namorada virtual, oferecendo-lhe amor, comida, presentes e sexo. Se não tratá-la bem, ela arruma as malas e vai embora.

ReproduçãoAmor virtualA pernambucana Simone é a estrela do CD ‘‘Gotchi-Girl’’, sucesso na Alemanha. Versão em português deve sair em março Avançando o sinal Desde que foi lançado, em novembro passado, o programa vendeu 20 mil cópias. O primeiro a ceder aos encantos da ‘‘Gotchi-Girl’’ foi seu próprio criador: desde dezembro, Simone e Edgar estão oficialmente casados, morando em Stuttgart, na Alemanha. ‘‘Não esperava me tornar uma estrela na Europa - disse Simone, em entrevista por telefone à Agência Globo. ‘‘Me sinto a própria Cinderela’’.
Segundo o marido, ela recebe 10% das vendas do CD-ROM e, por duas horas diárias, tem aulas de alemão com uma professora particular. Perguntado se não tem ciúmes de ver a mulher sendo cobiçada por tantos micreiros, Edgar não desconversa: ‘‘Todo mundo pode cheirar a fruta, mas só um pode comê-la’’, diz misturando inglês, português e alemão.
Com uma interface kitsch, com corações enfeitando a tela, o CD-ROM mostra 48 sequências de vídeo (620Mb, no total), em que Simone aparece correndo na praia, dançando, comendo, dormindo, nua, etc. Mas ela só faz isso quando tem vontade. Se optar por sexo assim que instala o programa, o jogador receberá um ríspido aviso de que ainda não é o momento. É preciso atender aos pedidos da moça para conseguir pontos e avançar o sinal.
‘‘Não é um software pornográfico, mas erótico’’, garante Edgar. ‘‘A Simone não aparece completamente nua, mostra apenas bumbum e seios’’.
Dono da D-Bit Software Production, ele está finalizando a versão em inglês do programa e, em março, pretende lançá-la em português, através de alguma distribuidora que se interesse pelo material. Na Net, a Gotchi atende no www.gotchigirl.de.

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