Brasil vira as costas para o mar
O Brasil, apesar dos seus quase 8 mil quilômetros de costa, ainda não reconhece a importância econômica, ecológica e social do mar. A constatação é de Luiz Roberto Tommasi, especialista em poluição marinha do Departamento de Biologia do IOUSP. O Brasil está de costas para o mar, alerta. Para o brasileiro o mar continua sendo somente areia, sardinha e biquini. Segundo o pesquisador, apesar do País ter procurado realizar estudos sobre a preservação ambiental, ainda existem poucos especialistas e falta oportunidade empregatícia para profissionais, o que pode ser considerado um reflexo da ausência de prioridade mais clara do governo federal acerca do mar.
Tommasi é presidente da Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (Fundespa), órgão que, juntamente com professores do IO, vem ajudando a comunidade na resolução de problemas ambientais por meio de campanhas e divulgação sobre o uso adequado do litoral e a contaminação da água e areia da praia por meio do lixo.
Entre as avaliações de impacto ambiental do lixo no mar realizadas por professores e pesquisadores do IO estão a redução da biodiversidade, fragilização dos ecossistemas, que tornam-se mais sensíveis às ações e variações de temperatura, diminuição de recursos renováveis, comprometimento da qualidade de fluxo do mar para consumo humano devido à concentração de materiais pesados e organismos prejudiciais, e o mais grave: o comprometimento da água do mar para o banho, causando doenças como gastrenterites e dermatoses. Não há no Brasil um programa nacional de monitoramento da qualidade costeira para que se possam avaliar efetivamente os impactos ecológicos e até os riscos da saúde pública causados pela poluição marinha, afirma Tommasi. Temos emissários submarinos e industriais lançando esgotos municipais e despejando poluentes in natura em alto-mar sem qualquer tratamento, como em Santos e Guarujá, e o pior é que grande parte desse lixo, sobretudo produtos químicos jogados clandestinamente no litoral, muitas vezes se apresenta oculta sob a areia ou as águas.
Uma vez que 90% do lixo marinho vem da terra e 10% do próprio oceano, o primeiro passo apontado pelo especialista para se tentar reverter essa situação é a educação ambiental.(L.R./USP/AE)





