Brasil vai fabricar a pÍlula masculina
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quarta-feira, 18 de março de 1998
Márcia Wonghon Agência Brasil 
ReproduçãoA pílula do homem não apresenta efeitos colaterais e as taxas de fertilidade voltam ao normal entre 60 e 90 dias após a interrupção do uso do produtoA recente descoberta de que o medicamento Nofertil, o primeiro anticoncepcional masculino do mundo, que se encontra em fase final de testes, não causa esterilidade permanente e até aumenta a libido, despertou o interesse internacional pelo produto, que será fabricado, a partir de abril de 1998, pelo Laboratório Pernambucano Hebron, de Caruaru, no Agreste de Pernambuco.
De acordo com o diretor-presidente do laboratório, Josimar Henrique da Silva, representantes de empresas farmacêuticas de 25 países, entre eles Japão, Coréia, Estados Unidos, Bélgica, Peru, Bolívia, Austrália, Rússia e Israel, estão mantendo contatos com o Hebron para importar a pílula masculina brasileira.
O Nofertil, produzido a partir do gossipol, substância extraída da semente do algodão, é pesquisado pelo professor Elsimar Coutinho, do Departamento de Ginecologia e Reprodução Humana da Faculdade de Medicina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), há mais de onze anos. Contudo, somente a partir de 1993, uma parceria firmada entre ele, o laboratório Hebron e a Fundação Rockfeler, dos Estados Unidos, permitiu a viabilização do projeto.
Josimar da Silva observou que estudos pré-clínicos feitos pelo professor Elsimar em cobaias de animais em laboratórios da Inglaterra e testes realizados com 500 pacientes de diversas faixas etárias, em centros de reprodução humana do Brasil e do exterior, comprovaram que o fármaco de origem vegetal, é um método seguro de controle da natalidade. Ele não apresenta contra-indicações
nem produz efeitos colaterais. Quanto a pílula feminina, a base de hormônios, provoca uma série de distúrbios de ordem metabólica além de varizes, displasia mamaria, câncer de mama, irritação, excesso de peso e aumento do fluxo menstrual, entre outros.
A pílula do homem atua no organismo inibindo as enzimas que promovem o amadurecimento dos espermatozóides e impedindo que eles cresçam e atinjam a fase adulta, explica Josimar da Silva que também é diretor da Associação dos Laboratórios Nacionais (Alanac). Ressaltou que, para inibir a produção de espermatozóides, o homem tem que tomar diariamente um comprimido de 20 miligramas por um período de 60 a 90 dias, devendo ser acompanhado nesse tempo por um urologista que solicitará um espermograma após esse prazo.
Nessa fase inicial da ingestão do medicamento é aconselhável o uso de preservativos nas relações sexuais. O diretor do Hebron informou ainda, que para tornar-se infértil é preciso que o homem elimine os espermatozóides já produzidos e armazenados no organismo anteriormente, o que, segundo relatou, equivale a fazer 40 ejaculações.
Outra vantagem do novo método anticonceptivo masculino, conforme Josimar, é que após o uso da pílula por um período de um ano, a interrupção da medicação não provoca o comprometimento da fertilidade interrompida. Ele assegura que num prazo de 60 a 90 dias o homem volta a ser fértil.
Josimar disse que o lançamento do produto, destinados às classes A, B e C envolverá a questão cultural, uma vez que em sociedades patriarcais, como é o caso da brasileira, o controle da natalidade está a cargo da mulher, e essa concepção é muito arraigada nas sociedades nordestinas. A pílula do homem está em fase de repetição de ensaios, ficando o licenciamento junto ao Ministério da Saúde, para produção industrial, para depois do processo de patente.


