Meta do Softex 2000
é estar entre
os cinco grandes
em 20 anosO Programa Brasileiro de Software para Exportação, o SOFTEX 2000, é um caso raro no mundo, de ação cooperada entre Governo e iniciativa privada, visando o fortalecimento e capacitação de um segmento de alta tecnologia para torná-lo competitivo a nível mundial.
Criado em 1992, o Programa conta hoje com 800 empresas associadas, através de 20 núcleos autônomos espalhados pelo país, um portfólio de 3 mil produtos, aproximadamente 300 deles incentivados com recursos do CNPq, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, além de escritórios comerciais nos EUA, Alemanha, China e Argentina (em implantação).
Atuando num mercado nacional que era de U$ 1 bilhão em 1990 e deve atingir U$ 2,5 bilhões este ano, o Softex contribuiu para que as empresas brasileiras respondessem por 45% desse mercado e as exportações saltassem de menos de U$ 100 mil ao ano, até 1990, para U$ 15 milhões no ano passado, sem contar software embutido em máquinas e equipamentos.
Por estas e outras, o empresário Kival Weber, da Pólo de Software de Curitiba, presidente da Sociedade Softex, entidade privada que assumiu a coordenação do Programa Softex desde o início deste ano, é otimista quanto às perspectivas do software brasileiro:
‘‘Nossa meta é colocar o Brasil entre os 5 maiores produtores e exportadores de software do mundo, até 2020’’, diz Kival.
Mercado de U$ 300 bilhões
Atualmente, 95% do mercado de quase U$ 300 bilhões estão na mão dos EUA (57%), Japão (15%), França (9%), Alemanha (8%) e Inglaterra (6%); o resto do mundo, com 5%, inclui o Brasil, que tem 1%.
‘‘Nossa meta não é fácil nem trivial’’ - raciocina Kival, apoiando-se em cenários para 2020, criados pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, que colocam o Brasil, na melhor hipótese, como sétima economia do mundo. ‘‘Mas nós temos a base de um programa praticamente inédito no mundo, que já construiu ativos impressionantes’’.
Ele refere-se ao período de 93 a 96, quando o Programa Softex fincou suas bases: ‘‘Nossos núcleos não foram escolhidos ao acaso’’ - argumenta Kival Weber. ‘‘Foram selecionadas cidades com ambientes empresariais e acadêmicos consistentes e com engajamento e contrapartidas das instituições locais’’.
Na sequência, além dos escritórios do promoção comercial no exterior e de um calendário de eventos nacionais e internacionais, que incluiu as duas maiores feiras de informática do mundo, a Comdex de Las Vegas e a Cebit de Hannover, Alemanha, o programa criou 20 núcleos Softex-Gênesis, destinados a despertar e incentivar novos empreendedores dentro das universidades, que já apoiam mais de 200 projetos de estudantes e recém formados, que deverão formar a nova geração de empresários.
Softex como franquia
‘‘Tão importante quanto esses números é o aprendizado’’ - raciocina o presidente da Sociedade Softex. ‘‘No início do Programa nós pensávamos que o problema do software brasileiro era tecnológico; com o tempo, nós aprendemos que essa parte é no máximo 20% do problema, os outros 80% dizem respeito ao empresariamento, conceito que engloba marketing, funding, business e gestão do negócio’’.
É exatamente nesse aprendizado que se baseia o planejamento das ações do Programa para 1998, estruturado em operações, cada qual com coordenação própria e diversas atividades (ver box).
O aprendizado cresceu mais que o desejado com as dificuldades deste ano, decorrentes do processo de privatização do Programa: ‘‘Assumimos com uma estrutura de 80 pessoas e terminamos o ano com 17’’ - diz Kival. ‘‘A estratégia da Sociedade Softex é executar cada vez menos, delegando ou terceirizando tudo o que for possível, concentrando apenas as atividades de planejamento, imagem, negociação de recursos, ou seja, trabalhar o Softex como uma franquia’’.
O mesmo está valendo para os núcleos do programa, entidades autônomas que terão que viver sem recursos governamentais: ‘‘Os núcleos tem que se estruturar como uma rede de negócios, não tem injeção na veia; os que não gerarem negócios vão morrer’’ - sentencia o presidente da Sociedade Softex.
Fim de ano em alta
Além das mudanças conceituais, o Programa sofreu dificuldades financeiras, principalmente com a quebra de recursos da Lei de Informática. ‘‘E a nossa principal realização deste ano, a Chamada Nacional Softex, que selecionou 40 projetos entre 400 candidatos para financiamentos de R$ 650 mil, usando garantias do fundo de aval do Sebrae, sofreu um atraso de 6 meses, por problemas operacionais’’ - lamenta Kival Weber.
Mas o ano termina em alta para o software brasileiro. Além do bom desempenho do Brazilian Pavilion na Comdex Fall, os recursos da Chamada Nacional serão liberados na próxima semana e, no início de dezembro, o BNDES operacionaliza os R$ 30 milhões da linha Softex, destinada a projetos de R$ 200 mil a R$ 2 milhões, sem garantias reais, num mix de financiamento com investimento de risco (a empresa tomadora devolve o principal, sem qualquer correção, mais uma participação na receita incremental).
‘‘Creio que já aprendemos o caminho’’ - considera Kival, para concluir: ‘‘Apesar das dificuldades conjunturais, deveremos crescer muito em 98, inclusive com a implantação de novos escritórios no exterior, terceirizados para os núcleos’’.
Tadeu Felismino participou da Comdex com apoio da VARIG e RIOSUL

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