Brasil já tem seu minivale do silício
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Milton Bridi Agência Estado 
DivulgaçãoComparaçãoEstação virtual no Vale do Silício, Califórnia (EUA): região concentra as principais empresas de alta tecnologia em informática, telecomunicações e eletrônicaO município de Campinas, a versão brasileira do Vale do Silício existente na Califórnia, onde se concentram nos Estados Unidos as principais empresas de alta tecnologia nos setores de informática, telecomunicações e eletrônica, atraiu só este ano cerca de US$ 500 milhões em novos investimentos. As indústrias dos três setores estão se transferindo para a cidade em função da invejável infra-estrutura e da farta mão-de-obra altamente especializada disponíveis na cidade.
Com acesso fácil às principais rodovias que cortam o Estado de São Paulo - Anhanguera, Bandeirantes e D. Pedro I -, além de possuir o maior aeroporto em volume de carga do País, três universidades e outros quatro centros de pesquisa, Campinas alcançou um desenvolvimento rápido no setor. Nas duas últimas décadas, as empresas da área investiram na construção de novas fábricas e ampliação das suas unidades cerca de US$ 1,5 bilhão.
A expectativa para o futuro também é otimista. O município espera atrair cerca de US$ 6 bilhões até o ano 2000 em novos investimentos. Com tantos interesses das maiores indústrias do mundo do setor, a comparação com o estado norte-americano, que utiliza o cristal de silício, um dos mais puros fabricados artificialmente e que representa uma das evoluções tecnológicas, está sendo inevitável.
Falta muito ainda para chegarmos à condição do vale californiano, disse o diretor da multinacional americana SCI Systems, Ricardo Bataglia. Mas podemos considerar Campinas como um minivale do silício, acrescentou o executivo da SCI, uma das maiores fabricantes de componentes de computador do mundo, que começou a operar no município em 1º de julho deste ano, após ter adquirido a concorrente Group Technologic. Optamos por esta região em função das facilidades que encontramos aqui, onde já estão instalados cinco dos nossos 20 maiores clientes, disse Bataglia.
Localização estratégica A maioria das empresas está instalada em dois pólos industriais, um deles no final da rodovia D. Pedro I, com uma área de 560 mil m2. O outro fica na rodovia Campinas-Mogi Mirim, que possui sete milhões de metros quadrados.
As indústrias dos setores de telecomuncações, informática e eletrônica estão estrategicamente localizadas perto de quatro grandes centros de pesquisa: Centro de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Centro de Tecnologia para a Informática (CTI), Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CPqD) da Telebrás e do Laboratório Nacional de Luz Sincontron (leia matéria na página 4).
Algumas delas estão instalando suas unidades nas cidades vizinhas, cujo acesso às rodovias e ao aeroporto internacional de Viracopos também é rápido e seguro.
O município começa a atrair agora, com a privatização das telecomunicações, outras empresas do setor. O grupo americano Lucent Technologic, que produz equipamentos para estações e telefonia celular, foi um dos primeiros a anunciar o investimento na ordem de US$ 50 milhões para construir a fábrica no local, que terá capacidade para produzir 500 estações de rádio-base analógicas e digitais por ano.
Outra empresa norte-americana do ramo, a Qualcomm, também anunciou investimento na ordem de US$ 50 milhões na sua unidade. O secretário municipal de Cooperação Internacional, Manuel Carlos Cardoso, comemora a opção das indústrias pela região de Campinas, que representa 9% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale ao PIB do Chile. Só os investimentos destes seis primeiros meses chegaram a US$ 500 milhões, disse.


