Cansada de ser lesada pela pirataria de software que parte principalmente de Miami em direção a América Latina, a Microsoft entrou na Justiça contra 15 companhias da Flórida, acusadas de falsificar e comercializar produtos de informática. A empresa de Bill Gates contratou um serviço especializado de investigação que, durante seis meses, acompanhou o esquema montado para copiar e exportar software para toda América Latina e Caribe. Esta é a primeira vez que uma investigação desse porte é feita na fonte exportadora. O objetivo é cortar a corrente da pirataria que parte dos Estados Unidos para outros países. Como o software falsificado sai embalado do país onde o produto é originalmente fabricado, a imitação é comercializada como um ‘‘bom’’ produto importado, facilitando o engano dos consumidores.
Conforme a investigação da Microsoft, El Salvador é campeão em pirataria, com 89% dos softwares falsificados. Em seguida vem a Bolívia com 82%. Em terceiro lugar, empatados, aparecem Brasil e México com 62%, enquanto o Chile tem 56%. A pirataria nos Estados Unidos alcança uma média de 27% dos produtos, mas na Flórida esse índice sobe para 32,3%. Por essa média, entende-se que de cada três produtos comercializados pelo menos um é falso. Conforme o advogado da Microsoft, Tony Viera, algumas firmas foram flagradas porque o serviço antipirataria da Microsoft recebeu chamadas telefônicas dos próprios consumidores ou mesmo de revendedores que estavam insatisfeitos e duvidando da procedência dos softwares que tinham adquirido em seus países. Algumas reclamações teriam partido do Chile e outras do Peru.
Em 1997, segundo um estudo feito pela Microsoft, a Flórida perdeu sete mil postos de trabalho e deixou de arrecadar US$ 490 milhões em impostos devido a ação da chamada ‘‘indústria da pirataria’’ que, após copiar o produto original tem que exportá-lo via ilegal para não chamar a atenção das autoridades, já que essas empresas não têm como comprovar receita.‘‘A Flórida tem se convertido numa porta para a América Latina, mas nos preocupa muito que grande parte dessas exportações seja feita com produtos falsificados, prejudicando consumidores e negócios honestos’’, criticou o advogado da Microsoft, Tony Vieira, que irá acompanhar o processo contra as empresas acusadas.

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