Brasil coloca em prática a telefonia IP
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de maio de 1999
Agência O Globo 
Depois do boom da Internet, o tititi do momento é o uso da rede IP (Internet Protocol ou Protocolo de Internet) para o tráfego de voz. Pesquisas do Dataquest e do IDC estimam que o mercado mundial de voz sobre IP terá cerca de 16 milhões de usuários ainda este ano. Um relatório do Dataquest e do IDC sobre a expansão da telefonia sobre IP prevê que, na Inglaterra, as perdas da British Telecom com as ligações geradas pela telefonia IP em ambiente doméstico chegarão a US$ 39 milhões em 2001.
Todo esse alvoroço tem um bom motivo: redução dos custos das chamadas telefônicas, principalmente as internacionais. No Brasil, as empresas que vendem equipamentos e soluções para este mercado, como 3Com, Siemens, Hypercom, Cisco, Lucent e Nortel, já estão desenvolvendo projetos-pilotos com empresas da área de finanças e de telecomunicações. Com o uso de voz sobre IP, operadoras de telefonia, grandes corporações e usuários finais economizam, pois se usa uma estrutura mundial já existente, dispensando os altos investimentos numa malha de voz. Como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não tem uma posição oficial sobre o tema, as empresas que já estão pondo a telefonia IP em prática preferem não divulgar seus projetos.
Vladimir Batista, gerente técnico comercial da área de Negócios de Sistemas de Comunicação da Lucent, explica que o IP é um dos protocolos de uma camada de comunicação de dados, muito usado ultimamente pela popularização da Internet. Ele diz que esta camada IP, criada para a comunicação de dados, está começando a ser usada para a transferência de arquivos de voz. Segundo Batista, a maior dificuldade nesse processo é que o meio IP não costuma ser usado para a comunicação em tempo real.
Ninguém espera, por exemplo, que o arquivo enviado por rede chegue na mesma hora, mas numa conversação por telefone é imprescindível ouvir a resposta em tempo real.
As soluções de voz sobre IP vêm sendo usadas em redes privativas de grandes corporações, por operadoras de telefonia e por internautas, que, com auxílio de um software, conseguem atender chamadas telefônicas sem precisar cancelar a conexão com o provedor de acesso à Internet (veja texto ao lado). Isabel Campos, gerente de Marketing de Produto da Nortel, explica que as operadoras compram soluções com gateways (equipamentos que transformam a voz em pacotes de dados) para que haja a interconexão entre a rede telefônica e a rede de dados. Mas estas soluções também incluem redirecionadores (gatekeeper) e servidores que armazenam tabelas com números IP (referentes a máquinas ligadas à Internet) e prefixos de telefone e servidores que autenticam o acesso.
No caso de grandes corporações, a empresa pode ligar um gateway a um sistema de PABX e usar a rede privada de transmissão de dados para trafegar voz, diz Isabel.
Anderson André, gerente de Negócios de Inteligência da 3Com Brasil, comenta que o grande problema da telefonia IP é que o ambiente Internet é caótico. Isso significa que não dá para garantir que a informação vá chegar até o destino. André diz que, apesar dos avanços da tecnologia, ainda há riscos de se ouvir vozes metalizadas e mensagens partidas.


