Pedro Petri, estudante de medicina, criou um prontuário médico eletrônico que utiliza o blockchain para armazenar dados dos pacientes: garantia de que as informações não poderão ser alteradas
Pedro Petri, estudante de medicina, criou um prontuário médico eletrônico que utiliza o blockchain para armazenar dados dos pacientes: garantia de que as informações não poderão ser alteradas | Foto: Marcos Zanutto



Duas startups de Londrina já aplicam o blockchain em setores diferentes do financeiro. A Bart Digital utiliza o blockchain para garantir a integração e a desburocratização das operações de barter, em que o produtor paga por insumos com parte da safra produzida. "O setor de agro tem uma cadeia relativamente grande que começa com o produtor rural, passa pelas revendas, cooperativas industriais e também por trading, como bancos", relata Guilherme Costa, sócio-fundador da Bart. "É uma cadeia que envolve vários players que negociam, transitam dinheiro, commodity. Mas a gente não tem uma rede no agronegócio no Brasil para negociação que se comunica." Além disso, todas as transações feitas por esses atores são manualmente, no papel, o que resulta em uma grande burocracia. "Nos últimos 20 anos, houve uma revolução no campo com máquinas agrícolas, uso de drones, só que a negociação continua no século passado."

De acordo com ele, desde o início, a "tese inicial" do blockchain é evitar a assimetria de informação. Pelas características de imutabilidade das informações e de "prova de consenso", que garante que todas as transações feitas na rede sejam transparentes, o protocolo tem potencial de diminuir a burocracia no agronegócio. "A falta de confiança [no Brasil] se resolve com burocracia. O blockchain é uma forma de garantir confiança sem trazer burocracia."

Mariana Bonora, Guilherme Costa, Renato Girotto e Thiago Zampieri, co-fundadores da Bart Digital
Mariana Bonora, Guilherme Costa, Renato Girotto e Thiago Zampieri, co-fundadores da Bart Digital | Foto: Divulgação



Pedro Petri, estudante de medicina, criou um prontuário médico eletrônico que utiliza o blockchain para realizar o armazenamento de dados dos pacientes e integrá-los entre os diversos estabelecimentos de saúde, como hospitais, clínicas e laboratórios. O sistema está em fase de prototipação. "O blockchain pode e vai revolucionar o setor de saúde, assim como outros setores da economia, porque permite que a informação possa ser documentada e autenticada em uma rede descentralizada e permanente", comenta Petri.

Segundo ele, o blockchain é uma garantia de que as informações não poderão ser alteradas e que terão longevidade ao longo da cadeia. Na área médica, isso pode proporcionar maior assertividade no diagnóstico. "Legalmente falando, o médico vai ser responsabilizado só pela informação que ele colocou", acrescenta. O estudante explica que a rede funciona como uma autenticadora das informações que são ali inseridas. "A partir do momento que uma informação é colocada na rede, ela recebe uma assinatura chamada de 'hash', que é como se fosse um RG, uma identificação. Ela é única, e se alguém tenta alterar a informação, os demais participantes da rede percebem e bloqueiam a ação.(M.F.C.)

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