Bitcoin é revolucionária, mas exige cautela
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Os acontecimentos em torno do bitcoin têm despertado ainda mais a curiosidade e, ao mesmo tempo, a incerteza quanto à segurança do uso desta moeda virtual. Neste início de ano, duas bolsas de bitcoin anunciaram falência depois que supostos ataques de crackers teriam levado quantias significativas da moeda, prejudicando os investidores. E por causa das próprias características deste dinheiro, não é possível chegar aos responsáveis pelo ataque, explica especialista.
Isso se deve ao fato de o bitcoin não se submeter a nenhuma entidade administradora, como é o caso do Banco Central para o Real. A criptomoeda é de responsabilidade de seus próprios usuários, que formam uma rede peer-to-peer (ponto-a-ponto). Por não haver uma entidade reguladora, o usuário não tem a quem recorrer para reaver seus bitcoins caso os perca, avisa Leandro Mantovan, CEO da AVG Brasil.
De acordo com Bernardo Quintão, de Curitiba, entusiasta do bitcoin, todas as transações realizadas com a moeda virtual ficam registradas na rede, porém, não há como identificar as partes envolvidas, o que garante a privacidade dos usuários. Porém, este é o motivo pelo qual, por exemplo, o bitcoin é utilizado para meios escusos, como a compra e a venda de drogas.
Além disso, o próprio site oficial do bitcoin alerta que se trata de um sistema em fase de testes, e que a moeda pode ser altamente volátil. Na última terça-feira, de acordo com o site Mercado bitcoin, estava cotada a R$ 1.499. Mas no período de um ano (de março de 2013 a março de 2014), conforme valores do site CoinDesk, a moeda chegou a cair de US$ 1.147 em 4 de dezembro para US$ 522 no dia 18 do mesmo mês. Vários fatores influenciam o valor deste dinheiro, entre eles as notícias positivas ou negativas.
Por estes e outros motivos, mesmo entusiastas da moeda não recomendam fazer altos investimentos em bitcoin, mesmo que estas oscilações também possam favorecer o investidor. Antes de a moeda ser cotada a US$ 1.147, em 4 de dezembro do ano passado, por exemplo, ela podia ser comprada a US$ 44,29, no dia 12 de março do mesmo ano. "Não recomendo um usuário leigo a arriscar grandes quantias. É uma irresponsabilidade", alerta Quintão, que também trabalha em uma empresa de investimentos na capital paranaense.
Segurança
Para Quintão, entretanto, os duros golpes sofridos pela criptomoeda este ano são de responsabilidade das pessoas que detêm o dinheiro, no caso, as bolsas de bitcoin. A moeda em si foi projetada para oferecer segurança aos usuários, explica Wladimir Crippa, administrador da comunidade Bitcoin Brasil no Facebook, que organizou, semana passada, o primeiro evento sobre a moeda no Brasil, em Florianópolis (SC). "O bitcoin é uma rede descentralizada. Então não há como cair, sofrer ataques, ser tirada do ar por algum governo. É uma rede formada pelos próprios usuários do Bitcoin. Isso é uma enorme garantia de segurança."
Ao invés de deixar as moedas sob a tutela destas empresas, as pessoas podem mantê-las no seu próprio computador, afirmam Crippa e Quintão. "Qualquer usuário pode ter seus bitcoins salvos em seu próprio computador", diz Crippa.
Se usada corretamente, pode prover alto nível de segurança, afirma Quintão. As medidas de segurança, segundo o site oficial, incluem cuidados bem parecidos com aqueles recomendados para o dinheiro real e para o uso do computador: escolher bem o serviço de carteira (serviço on-line necessário para enviar e receber moedas), manter apenas pequenos valores dentro dele e manter o software atualizado, por exemplo. Fazer o backup, criptografar e manter uma carteira off-line são outras orientações.
"Qualquer pessoa deveria pelo menos testar o bitcoin para entender como funciona", defende Quintão. Ele também é responsável por uma startup em Curitiba que remunera, em bitcoin, pessoas ou empresas que compartilham sua rede WiFi, a BitWiFi.
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