Neste primeiro turno das eleições municipais mais de 7 milhões de brasileiros votaram utilizando o sistema biométrico de identificação. No Paraná, mais de um milhão de eleitores utilizaram o sistema nas cidades de Curitiba e Balsa Nova. Nas eleições presidenciais será a vez dos londrinenses. A mudança nas urnas tem o objetivo de evitar a fraude no procedimento de votação, quando uma pessoa se passa por outra para votar.
Os benefícios da biometria podem ser aplicados a vários setores e a tecnologia evolui para outras formas cada vez mais eficazes quando o assunto é fazer, com segurança, a identificação de uma pessoa. Apesar de ainda caras, já existem, por exemplo, tecnologias de biometria facial, pela íris, reconhecimento da voz e até pela dinâmica de digitação.
''A principal vantagem da biometria é a segurança. A identidade biométrica é intransferível'', explica o estudante Marcelo Martelli Aymori, do curso de Ciências da Computação do Centro Universitário Filadélfia (Unifil). No momento, ele desenvolve um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre a aplicação da tecnologia em salas de aula (veja no box).
O uso de biometria também pode dispensar a necessidade de cartões e o incontável número de senhas que precisamos guardar na memória. Um exemplo é a sua aplicação em terminais bancários. ''A biometria pode ser utilizada em tudo o que se possa imaginar para substituir a assinatura, senha, inclusive de forma on-line. Uma aplicação estaria, por exemplo, nas compras on-line'', acrescenta Aymori. A identificação biométrica também traz praticidade, uma vez que acompanha a pessoa em qualquer lugar, brinca o estudante.
A biometria por impressão digital é a mais popular por causa do custo, afirma Osmar Braga, diretor da Fingertech, distribuidora da empresa coreana de produtos biométricos Nitgen. Em Londrina e na maioria das cidades brasileiras, predomina o uso desta tecnologia, como no registro eletrônico de ponto de funcionários em uma empresa, ''um mercado que está crescendo consideravelmente'', segundo Braga, pela obrigatoriedade, e em planos de saúde, por exemplo. Neste último caso, o objetivo é evitar o uso da ''carteirinha'' por outras pessoas para obter os benefícios do plano.
Uma outra aplicação é a autorização de operações em caixa. Braga dá o exemplo de uma rede de farmácias no Paraná que instalou o sistema de biometria nos caixas para autorizar a compra de remédios controlados ou descontos maiores que o normal. O método pode ser utilizado ainda para a autorização de trocas de produtos e fidelização de clientes em grandes magazines.
Entretanto, a biometria por impressão digital está sujeita a falhas principalmente nos casos em que o usuário é uma criança ou uma pessoa idosa, quando o reconhecimento da impressão digital é mais difícil. Trabalhadores da construção civil também podem ter problemas com o reconhecimento da impressão digital. O reconhecimento facial, por outro lado, não tem este problema, enfatiza Braga, e começa a ter cada vez mais demanda.
Já a biometria pela íris dos olhos é ainda mais eficaz, uma vez que ela não se altera com o passar dos anos. ''É a mais eficaz, porém totalmente inacessível. O aparelho mais simples custa em torno dos R$ 20 mil e tem capacidade de controlar poucos usuários'', afirma o diretor da Fingertech. Segundo ele, o sistema de reconhecimento facial pode custar cerca de R$ 5 mil, e o de biometria por impressão digital, R$ 280. O controle de acesso pela biometria da íris é utilizado apenas em locais restritos, que requerem alto nível de segurança, como o Banco Central, em Brasília.

mockup