Biólogo explora fauna do Tibagi
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 1998
Jackeline Seglin 
Paulo WolfgangOscar Shibatta e o cartaz com algumas espécies de peixes: idéia é fazer levantamento completoCatalogar todas as espécies da bacia do rio Tibagi. Isso não parece ser um trabalho fácil, mas o biólogo Oscar Akio Shibatta, professor do departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), aceitou o desafio e está trabalhando no projeto do Manual de Identificação dos Peixes da Bacia do Rio Tibagi. Shibatta já registrou cerca de 100 espécies, mas agora quer finalizar seu projeto com a catalogação de todas as que povoam a bacia.
Um dos instrumentos utilizados por Shibatta no estudo da fauna da bacia é a habilidade artística do biólogo, que desenha e pinta as espécies detalhadamente. Oscar Shibatta, formado pela Universidade de Brasília, é mestre em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos (SP) e doutorando em Ciências Biológicas na mesma instituição.
O trabalho de catalogação das cerca de 100 espécies demorou dois anos para ser concluído e a expectativa agora é ampliar o estudo da fauna da bacia do Tibagi. A partir deste trabalho, a meta é reunir as espécies já conhecidas e as ainda não identificadas e catalogá-las no manual. Este é um projeto de pesquisa educacional patrocinado pela Finepe e que tem duração prevista para dois anos. A intenção é publicar o manual no ano 2000, pela editora da UEL.
Na primeira etapa do projeto, Oscar Shibatta vai trabalhar com o biólogo Mário Luís Orsi na coleta dos peixes tributários ou afluentes (peixes que saem de um curso de água e daságuam em outro). Terminada a coleta, Oscar Shibatta vai se reunir com estagiários da UEL para fazer descrições por escrito das formas do corpo, coloração e distribuição das espécies da bacia. Depois desta etapa, começa o trabalho de ilustração de cada espécie.
O estudo e mapeamento de peixes fazem parte do Projeto Tibagi, que como um todo envolve a fauna e a flora da bacia. Depois de quatro anos de trabalho científico com peixes, o biólogo decidiu torná-lo mais acessível ao público: a maneira de fazer isso foi ilustrar algumas espécies num cartaz, financiado pela GTZ, da Alemanha, intermediado pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e realizado pela UEL. Quando surgiu essa idéia, optei por 14 espécies, na tentativa de mostrar a diversidade da fauna da bacia. A idéia foi sair do convencional, para mostrar os peixes mais difíceis de serem capturados. Para valorizar o conceito de biodiversidade, escolhi algumas espécies ecologicamente importantes e não necessariamente conhecidas, explica.
As informações contidas no material, segundo Shibatta, são curiosas e de fácil assimilação. Junto com o nome vulgar do peixe vem o nome científico, o tamanho aproximado e as características biológicas.
Em 550 quilômetros de extensão, o rio Tibagi abriga uma diversidade de peixes divididos em três ordens mais frequentes. Os Characiformes formam o grupo com maior número de espécies e geralmente são diurnos. Têm olhos grandes e corpo alto, o que permite que explorem a coluna dágua e possam nadar ativamente. Alguns representantes são o lambari, o piau, a pirambeba, a perna-de-moça, o curimba, a tabarana e a traíra.
Já os Siluriformes são tipicamente noturnos. Possuem olhos pequenos e barbilhões sensitivos que auxiliam no tato. O corpo largo é adequado à vida no fundo do rio e, geralmente, não se locomovem tanto quanto os Characiformes. O pintado, o barbado, o armau e o camboja são alguns exemplos.
O terceiro grupo é o dos Perciformes, representado no material de Shibatta pelas espécies jacundá e acará. Uma característica desse grupo é que os peixes formam casais e cuidam dos seus filhotes, protegendo-os contra predadores.
O biólogo cita algumas curiosidades sobre peixes como o camboja, que constrói o ninho e cuida dos ovos durante o período de incubação, ou a tuvira, pertencente aos Siluriformes - na subordem Gymnotoidei - e que geralmente é usada para pescar o pintado. Pouca gente sabe que este é um peixe elétrico, por causa da baixa voltagem. Como tem hábitos noturnos e olhos pequenos, a tuvira usa o campo elétrico em sua volta para se localizar no ambiente aquático. Outro exemplo, já mais conhecido, é o curimba, uma espécie migratória que depende do curso do rio para a perpetuação da espécie.
O cartaz mostra ainda detalhes sobre a reprodução, a alimentação e a sobrevivência das espécies da bacia, alertando para os perigos do desmatamento, da carga de agrotóxicos que pode atingir as águas e do despejo de esgotos domésticos e efluentes industriais sem tratamento nas águas do rio.


