A Idade do Computador começou na mesa de uma sala de estar em Berlim. Konrad Zusem um jovem engenheiro civil, calculista de estática da indústria aeronáutica Henschel queria em 1936 facilitar seu trabalho, construindo para isso uma máquina de calcular que em 1938 ocupava o espaço de quatro metros quadrados e em um matraqueado tremendo solucionava cálculos complexos.
Em 1941 era lançado o modelo seguinte, a ‘‘Z3’’. Esta calculadora já operava com comando de programa e em três segundos conseguia multiplicar, dividir ou extrair raiz quadrada. Surgia o primeiro computador do mundo. Seu inventor faleceu em 1995 na Alemanha aos 85 anos de idade, de uma doença cardíaca. Ele nunca ficou rico. Mesmo que o norte-americano Howard Aiken, que até a década de 60 era considerado o inventor do computador em 1962 tinha atestado em uma carta que Zuse era o verdadeiro pioneiro da computação.
Segundo consta o fato de ter sido ‘‘muito preguiçoso’’ para solucionar ‘‘de cabeça’’ os difíceis cálculos de estática, é a versão que Konrad Zuse mesmo lançou depois de se tornar famoso e ter publicado o seu livro ‘‘O computador - a obra de minha vida’’. Nele narra como cortou com uma serra de mão os painéis de lata da Z1 e montou tudo quanto foi coisa velha possúivel neste modelo experimental que pesava toneladas. A obra comprovou sua capacidade de funcionamento, apesar de deficiências do trabalho manual e da mecânica pura serem nítidas. Hoje, no Museu Berlinense da Técnica e do Transporte há uma réplica da Z1. Foi o próprio Zuse quem a construiu idêntica ao exemplar único original destruído durante a guerra.
Zuse conseguiu salvar o exemplar único da série Z4 no fim da guerra da Berlim em chamas, levando-o para a Baviera, escondendo-o numa cavalariça. Depois de 1945 Konrad Zuse fundou pela segunda vez sua firma ‘‘Zuse Sociedade por Comandita’’ em Bad Hersfeld, no estado do Hessen, que produzia calculadoras para indústria ótica e que em seus melhores tempos chegou a um faturamento de 30 milhões de marcos e cerca de mil empregados.
Dos cerca de 1.600 computadores que até 1965 funcionavam na Alemanha, 199 eram de produção alemã e destes, a maior parte era de Bad Hersfeld. Cedo Zuse constatou que não era um comerciante. Em breve ele não iria ter o capital para as despesas com a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos que a evolução vertiginosa do mercado impunha. Zuse acabou vendendo a empresa, que depois desapareceu.
Em 1941 Konrad Zuse havia feito o pedido de registro de patente da ‘‘Z3’’, mas a concessão acabou não acontecendo por causa da guerra e depois de objeções formuladas pelo norte-americano Howard Aiken, que em 1944, com apoio da IBM, construiu o computador denominado ‘‘Mark 1’’. O processo de registro de patente só terminou 26 anos depois com a constatação surpreendente do serviço de patentes indeferindo o pedido de registro ‘‘por falta de grau de invenção’’, pois todos os aspectos da Z3 já haviam sido formulados no decorrer das últimas décadas. Até sua morte Zuse registrou 50 patentes, mas aquilo em que ele depositva o maior valor, não obteve sucesso. Só a partir de 1980 é que o ‘‘inventor não reconhecido’’ transformou-se em um palestrante muito procurado, nome para escolas e ruas. Poucos meses antes de morrer ele recebeu do presidente da república Roman Herzog a Grã-Cruz do Mérito com Estrela e Faixa, ouvindo na saudação do presidente que ele, Zuse, estava sendo homenageado como ‘‘um dos maiores inventores alemães e pai do computador’’.’’
Até há poucos anos Konrad Zuse continuou solucionando problemas técnicos. Em uma entrevista de 1985 falou sobre suas tentativas de produzir máquinas-operatrizes que se reproduzissem. Em 1995 trabalhou em um gerador eólico no qual as hélices podiam ser substituídas com auxílio de uma torre telescópia, adaptando-se assim à intensidade do vento. De resto, ele sabia pintar bem e os preços não eram nada baixos. Em 1950 uma escola superior comprou a calculadora Z4, descoberta na Alemanha, intalando-a. Com isso o recém-fundado instituto de matemática aplicada adquiriu uma capacidade de cálculo ‘‘inexistente em qualquer outra parte do continente europeu’’.

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