Baterias de celular oferecem riscos
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quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Fabiana Gitsio Agência Estado 
Arquivo FolhaOs três tipos de baterias de celulares causam danos, mas as que funcionam à base de cádmio são pioresBaterias de celular foram apontadas como possíveis causadoras da explosão no Fokker 100 da TAM. Não eram. Nem por isso são inofensivas. No lixo, destino mais comum, podem vazar. Perto do fogo, o risco é de explodir e soltar estilhaços.
Manuais de todos os fabricantes de celulares alertam o consumidor para os riscos de jogar a bateria no lixo e próximo ao fogo, mas nenhum especifica que destino dar a elas. O da NEC, de capital nipo-brasileiro, não foge à regra.
O gerente de Produtos Pessoais da NEC, Massato Takakuwa, admite que ainda não há um procedimento formal sobre o assunto, mas diz que a empresa aceitaria receber baterias enviadas por consumidores. Ninguém, porém, fez isso até hoje.
A NEC entrou no mercado brasileiro de celular em 1991. Segundo o gerente, a empresa reviu neste semestre sua política de cuidados com o ambiente e deve fazer campanhas com lojistas, que passarão a orientar os clientes. O correto seria deixar a bateria velha na loja quando se vai comprar uma nova, avalia. A loja, por sua vez, encaminharia para o fabricante ou para uma firma que faça reciclagem.
RedeNa prática, o alerta fica restrito ao manual. Todos são muito claros ao orientar o consumidor a procurar meio adequado para descartar o material, acredita Sérgio Haguiara, gerente de Marketing da Commcenter, rede com 28 lojas.
A empresa começará a veicular, este mês, anúncios sobre os riscos do manuseio dos acessórios, inclusive baterias. A Commcenter também fará consulta à Secretaria Municipal do Meio Ambiente sobre formas de descarte. Haguiara destaca que a questão não se restringe aos celulares, mas também a baterias de barbeadores e mesmo a pilhas comuns, usadas em rádios.
O administrador de empresas Carlos Alberto Oristanio não pensou duas vezes ao jogar a bateria do seu celular Motorola no lixo. Falta divulgação dos riscos. Ele acha que a troca na hora da compra é a melhor idéia. Poderiam até devolver parte do dinheiro gasto.
Nenhum dos três tipos de bateria de celular existentes no mercado - a de tarja branca, mais simples, que reúne os elementos níquel e cádmio, azul (íons de lítio), mais resistente, e a verde, de níquel metal hidreto - deixam de ser nocivas.
Mas as primeiras são piores. O grande vilão é o pesado cádmio, conforme o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Wilson Komatsu. Jogadas no lixão, as baterias são corroídas: o cádmio é arrastado para os lençóis freáticos e captado de volta para consumo. Segundo ele, não existe nenhuma empresa no Brasil que recicle o material.
Komatsu preocupa-se até mesmo com as pilhas comuns, que contêm outro elemento perigoso, o mercúrio, mas absolve a bateria do laptop, também apontada, injustamente, como causadora da explosão no avião. A maioria, à base de níquel, não faz mal.


