Agência O Globo
Do Rio
Ele passou o carnaval baiano com um olho no micro e outro no trio elétrico. Gerente de mídia da IBM para a América Latina, Claudio Zibenberg acompanhou de perto a transmissão pela Web da folia em Salvador, patrocinada pela IBM e pelo UOL. Radicado inicialmente no Rio, Claudio foi transferido há seis meses para o escritório da empresa em White Plains (estado de Nova York), onde deverá permanecer pelos próximos três anos. De lá, ele observa a evolução da Internet comercial na América Latina e decide onde (e quanto) a companhia investe em publicidade. Entre a passagem de um trio elétrico e outro, no camarote de Gilberto Gil, em frente ao Farol da Barra, Claudio explicou como a IBM tem apostado suas fichas na mídia digital.
Agência O Globo Quanto a IBM tem investido em publicidade na Internet aqui no Brasil?
Claudio Zibenberg Do total de investimentos em publicidade, 8% são voltados para mídia digital. É pouco, se comparado com o investimento em outras mídias. Mas, comparativamente, gastamos um tempo muito maior pensando em como atuar neste mundo digital. É uma cultura totalmente diferente de anunciar, de medir a audiência, de criar, de produzir e de negociar. E sofremos com a falta de padrões nesta área.
Que tipo de padrão?
Temos problemas com o formato dos banners, por exemplo. Nos EUA, o IAB (Internet Advertising Bureau, em www.iab.net) já formatou cerca de dez modelos de banners, mas aqui ainda não chegamos a este ponto. Também há divergências nos padrões de tecnologia. Alguns sites usam tecnologia mais avançada e outros, não.
Anunciar no Brasil é diferente de anunciar nos EUA?
Aqui é bem mais barato. Para anunciar no Yahoo Brasil, por exemplo, você gasta 40% menos, para atingir o mesmo resultado do Yahoo americano.
Em que tipo de site a IBM prefere anunciar?
Nossa publicidade aqui no Brasil é dividida em duas áreas: inserção de banners e patrocínio. Anunciamos em cerca de 20 sites, como portais, ferramentas de busca e sites de revistas. Temos um critério, que a partir de agora estará sendo ainda mais rigoroso: só anunciaremos em sites que respeitem a privacidade do usuário.
Como assim?
Só vamos veicular banners em sites que tenham, na homepage, um botão que divulgue a política de privacidade do usuário.
Já é possível aferir o retorno destes investimentos em mídia digital?
Uma das vantagens da Internet é que você determina a audiência que deseja ter. Nós temos um projeto de mensuração, por exemplo, que é hospedar nossa publicidade nos próprios servidores da IBM. Com isso, conseguimos ter um certo controle sobre nossa audiência.
E como é negociada a inclusão de banners?
Em geral, por pageviews. Ou seja, você compra dez milhões de pageviews, por exemplo, e, quando este número é atingido, o banner deixa de ser visualizado.
Então não é por tempo de exposição?
Não, não, é por pageview mesmo.
E você considera este modelo definitivo?
Não. Acredito que este modelo vai mudar em dois anos. Nos EUA, a principal forma de anunciar hoje na Web é através de banners. Depois, vem o patrocínio. Mas acho que essa noção será revertida. No futuro, a tendência será unir a marca da empresa ao conteúdo de um website. Um exemplo claro é patrocinar o site de um jornal que está fazendo a cobertura de uma feira de informática.
Como vê o futuro da rede?
A Internet vai continuar no computador, mas ganhará, cada vez mais, outras formas de acesso, como celular, cabo, palmtops e até elevadores e postos de gasolina.
E o que acha desta explosão de portais no Brasil?
Fiquei três meses sem vir ao país e fiquei impressionado com a quantidade de novidades. Esta explosão tem a vantagem de popularizar a rede, mas está tudo muito exagerado. A Internet comporta milhões de sites, mas não tantos investindo tanto ao mesmo tempo. A tendência é a formação de poucos grupos, através de fusões e compras.Gerente de mídia da IBM para a América Latina diz que se gasta bem menos por aqui para alcançar metas na Internet comercial
Agência O GloboVIRTUALMENTE CORRETOSSegundo Claudio Zimberberg, no Brasil a IBM anuncia em cerca de 20 sites, como portais, ferramentas de busca e sites de revistas. E tem um critério, que a partir de agora estará sendo ainda mais rigoroso: o de só anunciar em sites que respeitem a privacidade do usuário

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