O número de acessos móveis no Brasil tem aumentado exponencialmente. No mês de outubro, a banda larga móvel foi o segmento que mais cresceu – 74% nos últimos 12 meses, segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). Dos 65,5 milhões de conexões da rede móvel, 52,5 milhões foram pela rede 3G. As redes de terceira geração já estão em 3.127 municípios, onde vivem 87% da população.
O aumento expressivo no número de acessos móveis, na opinião dos professores Rodrigo Bacco de Oliveira e Mauro Roberto Rodrigues Borges, da área de Telecomunicações na Universidade Norte do Paraná (Unopar), tem relação com a queda acentuada nos preços de aparelhos 3G, a utilização de smartphones, notebooks, netbooks e tablets para acesso à internet e ofertas de banda larga móvel para o segmento pré-pago.
Agora, as expectativas incidem sobre a tecnologia 4G, que já começa a operar em fase de testes no País. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Ministério das Comunicações, os primeiros municípios deverão ser atendidos já em abril de 2013, conforme cronograma da Anatel (veja infográfico).
A tecnologia 4G é uma evolução das redes HSPA e terceira geração, explicam os professores da Unopar. "O objetivo é oferecer serviços de banda larga móvel com altas taxas de velocidade e elevado desempenho para o mercado de massa." A disponibilidade do serviço seria similar à da rede fixa, completam. O Ministério das Comunicações ressalta que a velocidade de conexão de dados poderá ser de dez a 40 vezes maior que a alcançada hoje com a tecnologia 3G.
O padrão a ser utilizado no Brasil será o LTE-SAE (Long Term Evolution - System Architecture Evolution), destacam os professores da Unopar. Em junho de 2012, a Anatel fez uma licitação para autorizar o uso das faixas de radiofrequência de 450 MHz e de 2,5 GHz para que as operadoras passem a oferecer serviços de voz e dados com a tecnologia 4G.
"Apesar de não haver obrigação da tecnologia a ser utilizada para prestar tais serviços, a faixa de 2,5 GHz vem sendo utilizada internacionalmente para prestar serviços com tecnologias conhecidas como de quarta geração (4G)", recomendou a Anatel, em nota da assessoria de imprensa.
De acordo com informações da assessoria do Ministério das Comunicações, ainda não há registros de que alguma operadora já tenha entrado em operação comercial no País. No entanto, para iniciar as operações com serviço 4G, as operadoras realizam testes em algumas cidades do Brasil.
Testes da Claro estão sendo feitos em três cidades: Búzios, Paraty e Campos do Jordão. Segundo informações da companhia, a velocidade de sua rede 4G supera os 80 Mbps, taxa 80 vezes maior que a praticada atualmente, de até 1 Mpbs. A banda 4G adquirida pela operadora, de 40 Mhz, permitirá aos clientes atingir uma velocidade nominal de até 100 Mbps.
A Oi inaugurou uma rede 4G em caráter de testes no bairro do Leblon (RJ) com cinco estações rádio-base (ERBs). Além da rede de testes do Leblon, a operadora vem realizando demonstrações públicas do 4G em eventos, como na Rio+20, no 56º Painel Telebrasil e na Futurecom, informou a companhia, em nota da assessoria de imprensa. Até o fim do ano, a operadora deve inaugurar outras redes de teste em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília e um estande de testes permanentes no bairro do Flamengo (RJ).
O lançamento piloto do serviço de 4G da Oi, para um público restrito, está previsto para este mês no Rio de Janeiro e até o fim do primeiro trimestre de 2013 em São Paulo. Outras operadoras foram contatadas, mas não deram resposta.

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