Bancalização fomenta investimentos em TI
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Os números preocupantes da economia brasileira este ano - com a expectativa de um PIB extremamente modesto - não inibem os bancos brasileiros para investimentos em tecnologia. Pelo menos é o que dizem os representantes das instituições financeiras e empresas que atuam na indústria de automação bancária que participaram da 23ª edição do Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (Ciab/Febraban), que aconteceu na semana passada em São Paulo.
Para eles, a aplicação de recursos é fundamental, justificada pelo aumento maciço dos clientes, além de dar mais crédito às instituições e viabilizar, inclusive, o aumento na gama de produtos que podem ser ofertados aos correntistas. Atualmente, de acordo com dados da Febraban, cerca de 39% das transações bancárias no País são realizadas por internet banking. Em 2012, os bancos investiram R$ 20,1 bilhões em tecnologia da informação (TI).
O presidente da Diebold, indústria de automação bancária, João Abud Junior, disse que apesar da economia brasileira não passar por um momento de solidez, a situação é de pleno emprego, sendo que nos últimos cinco anos os bancos captaram 30 milhões de novos correntistas. "Investir em TI significa que o valor de cada transação fica menor, barateando todo o processo para as instituições. O investimento em tecnologia deve ser maciço, até porque é natural que a economia oscile."
Já para o vice-presidente de vendas da HP, Denoel Nicodemos Eller Junior, os bancos brasileiros estão procurando melhorar seu "efficience rating" (taxas de eficiência), ainda baixo comparado às instituições de outros países. "Além disso, passamos pelo crescimento da 'bancalização', principalmente entre as classes C ,D e E. São clientes que trazem um menor retorno aos bancos, tornando necessário investimentos em tecnologia para diminuir custos. Só para ter uma ideia, 70% do valor aplicado em TI é gasto hoje em manutenção, e não em inovação."
Dentre as tecnologias que estão chegando para ficar, vale citar a segurança para transações mobile, novas tecnologias para caixas eletrônicos e câmbio, sistemas internos e, num futuro próximo, o Big Data. Só como exemplo da utilização dessa última tecnologia citada, os clientes de um determinado banco poderão chegar a um País e logo receber no seu smartphone informações sobre o câmbio, hotéis, restaurantes, tudo baseado em informações da utilização do cartão de crédito. "Temos que transformar esta infinidade de dados que temos em informação, sempre respeitando a privacidade dos clientes", salientou o vice-presidente de automação da Itautec, Wilton Ruas.
Por fim, os representantes dos bancos e da indústria de automação concordam que a tecnologia está pronta para suportar as inovações do sistema financeiro. "Porém, vale lembrar que este novo 'estilo' de TI tem muitos desafios e ameaças que ainda temos que analisar com mais atenção. Este debate sobre inovação deve ser constante", concluiu o vice-presidente de vendas da HP, Denoel Junior.
*O jornalista viajou ao evento a convite da SAP

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