Baixa escolaridade predomina entre os infectados pela Aids
Baixa escolaridade predomina entre os infectados pela Aids
Se inicialmente a Aids atingiu um grupo de alta escolaridade, hoje a situação se inverteu: 60% dos infectados são pobres e não completaram o curso primário. Pesquisadores acreditam que a epidemia de Aids teve maior impacto sobre os grupos mais indefesos da sociedade, sem recursos para adquirir medicamentos e sem acesso a informações sobre prevenção. A Aids tomou o rumo de todas as infecções na história do Terceiro Mundo, atinge preferencialmente os pobres, pouco intruídos e os menos favorecidos da sociedade, conclui Elizabeth Moreira.
O HIV espalha-se pelo território nacional. Os primeiros soropositivos foram identificados no Rio de Janeiro e em São Paulo e hoje, após 18 anos de epidemia, casos já foram notificados em 27 estados. O mais recente boletim epidemiológico da Coordenadoria Nacional de DST e Aids indica que dos 5.506 municípios brasileiros, 2.914 (53%) já apresentaram pelo menos um portador da síndrome. A ruralização pode vir a ser a próxima etapa da rede de transmissão da doença, embora as ações do governo sejam feitas no sentido de evitar isso, prevê Pedro Chequer.
Apesar de 81% dos casos se concentrarem em 100 municípios, 21 deles capitais, os sinais da interiorização da doença já existem. Provavelmente, a epidemia começa a varrer o país em 1989, seguindo a trajetória do tráfico de drogas, que propicia o uso de agulhas compartilhadas, e da malha rodoviária do país. Assim os viajantes partem das grandes cidades para o interior, através das rodovias, e vão disseminando a doença. Da mesma forma, grandes epidemias atingem certos países através dos portos e dos aeroportos, avalia Chequer.





