Bactéria causa maioria dos casos de úlcera
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quarta-feira, 01 de outubro de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Álvaro OrsiJorge Honda explica como a bactéria age no estômago: causa mais comum de úlceraCom as novas descobertas e técnicas médicas, está cada vez mais fácil diagnosticar e tratar a úlcera gástrica, um mal que atinge milhares de pessoas no Brasil, embora não existam estatísticas sobre a doença. O maior avanço, de acordo com o gastroenterologista Jorge Honda, 45 anos, de Cianorte (noroeste do Pr), foi a descoberta de uma bactéria no estômago. O Helicobacter pylori foi descoberto por acaso no início desta década por pesquisadores australianos.
Os cientistas não acreditavam que algum organismo pudesse sobreviver num ambiente tão ácido como o estômago. Até a descoberta da bactéria, os médicos acreditavam que a gastrite e a úlcera gástrica eram provocadas pelo excesso de acidez e os casos mais graves eram sempre tratados com cirurgia. Extirpava-se parte do sistema para reduzir a produção de ácido, explica Honda.
Segundo o médico, embora ainda utilizadas por alguns médicos no Brasil, a cirurgia como forma de tratamento da úlcera está totalmente ultrapassada. Sabe-se hoje que 95% das úlceras do duodeno (a mais comum) e 60% das úlceras no estômago são causadas pela bactéria e devem ser tratadas com antibióticos. A gastrite provocada pelo helicobacter já é considerada a segunda infecção mais comum no ser humano, perdendo apenas para a cárie dentária. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também inclui a bactéria no grupo dos principais causadores de câncer de estômago.
Para sobreviver no Ph extremamente ácido do estômago, o helicobacter produz enzimas que anulam a acidez à sua volta. São estas enzimas que corroem as paredes do estômago ou do duodeno, dando origem às úlceras. Uma vez diagnosticada, a bactéria é tratada com antibióticos aliados a um medicamento chamado bloqueador de bomba que eleva o Ph do estômago e permite que o antibiótico aja sobre o microorganismo.
Médico há 19 anos, Jorge Honda atende cerca de 350 novos casos por ano. Antes da descoberta do helicobacter, operava em média 3 pacientes por semana. Agora, não faz mais cirurgias.
A incidência da bactéria está relacionada à falta de higiene e saneamento básico. Na Europa, o índice de contaminação é estimado em 35% da população. No Brasil, estima-se que 80% da população tem o helicobacter e, deste total, pelo menos 10% desenvolvem a doença. Honda desmistifica a crença de que gastrite e úlcera também podem ser causadas por nervosismo ou estresse. Testes feitos em laboratório comprovam que estes fatores não são suficientes para provocar gastrite ou úlcera, assegura.
De acordo com o gastroenterologista, além do helicobacter somente outros dois fatores podem desencandear a doença: o uso exagerado de antiinflamatórios ou a presença de tumores no sistema digestivo.


