"Estamos na onda dos reality shows e dos selfies, onde tudo que se deseja é ver e ser visto, mas não só isso, principalmente se deseja saber o quanto se vale, o quanto se é aceito, o quanto se é querido pelos outros", comenta a psicóloga clínica e professora do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Isabel de Negri Xavier. Para ela, a mania de autoexposição atinge todas as idades, mas os adolescentes formam o grupo com a maior tendência. "Para o adolescente que está em busca da sua identidade, o grupo social tem enorme importância. Ser aceito pela sociedade dá a ele um sentimento de pertencer, importante para a construção e preservação da sua autoestima."
Entretanto, transgredir também é um sentimento pertencente a este grupo, acompanhado do desconhecimento dos limites. "Muitos se sentem estimulados pela ilusão do anonimato." Recentemente, outro termo que se tornou conhecido é o "nude selfie", o selfie nu, prática de tirar fotos de si mesmo sem roupa. Uma pesquisa realizada pela ONG Safernet apontou que, em um ano, mais que triplicou o número de atendimentos realizados por um grupo de psicólogos da organização a pessoas que se dizem vítimas de "sexting" - o ato de enviar mensagens com conteúdo pornográfico a outras pessoas, no caso, de selfies nus.
A superexposição, segundo a psicóloga, pode trazer graves consequências. "Quando essa experimentação fica no privado, não costuma trazer consequências sérias, mas quando ‘vaza’ na rede, traz consequências bastante perturbadoras e às vezes verdadeiramente desastrosas para os jovens e suas famílias." Alguns casos envolvem o abandono da cidade, da escola ou do convívio social e, em situações mais graves, até o suicídio. (M.F.C.)

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