Aumento da capacidade gera atrito
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de agosto de 1997
France Presse 
As normas para os futuros vídeodiscos digitais graváveis (DVD-RAM), acertadas há quatro meses pelos principais fabricantes mundiais de eletrônica, estão ameaçadas por uma iniciativa dos grupos Sony Corp. (japonês), Philips Electronics NV (holandês) e americano Hewlett-Packard Co.
As três companhias pediram a homologação de uma norma incompatível ante a associação de fabricantes de informática europeus (ECMA), indicou um porta-voz da Sony, confirmando informações da imprensa.
As três companhias desejam comercializar um aparelho de VD numérico (DVD-RAM) capaz de gravar 3 gigaoctetos de informaçõe em cada lado. A norma mundial, aceita por todos os fabricantes em abril, incluindo a Sony e a Philips, só autoriza 2,6 gigaoctetos por lado.
O formato proposto pela Sony-Philips-Hewlett-Packard, como o defendido pela aliança composta pela Matsushita e a Toshiba com outros fabricantes, utiliza discos similares aos CDs atuais. Mas as duas normas são incompatíveis devido às tecnologias diferentes utilizadas para gravar os dados, afirmou o jornal japonês Nihon Keizai Shimbun.
Segundo o jornal, a iniciativa do tiro aumenta a possibilidade de uma nova guerra entre os gigantes da eletrônica mundial, parecida com a que ocorreu quando foi lançado o vídeo, inclusive antes de iniciar o desenvolvimento do mercado.
O porta-voz da Sony enfatizou que não chegou a esse ponto, ressaltando que todos reconhecem a norma unificada. A demanda da homologação apresentada em maio ante a ECMA poderá demorar um tempo considerável antes de obter uma resposta, um prazo entre seis meses e um ano.
Seus adversários desconhecem quais são as intenções do trio, afirmou um responsável da Matsushita, citado pelo jornal, enquanto um porta-voz de Hitachi enfatizou que violou um acordo de cavalheiros.
Há dois anos, ambos campos ameaçaram ir cada um por caminhos diferentes, quando se tentava definir uma norma conjunta para os aparelhos DVD-ROM. Mas a razão prevaleceu e os consumidores podem hoje em dia adquirir produtos compatíveis.
O vídeodisco numérico se apresenta como um CD clássico, com 12 centímetros de diâmetro. Em sua versão gravada, sua capacidade de armazenagem é de 4,7 gigaoctetos por lado, o que permite restituir um longa-metragem. Sua versão gravável, em qualquer uma das normas, é menos potente e o máximo que permite gravar é uma hora de imagens.
A capacidade de gravação de 2,6 megaoctetos sobre a que obteve acordo é muito frágil e a norma deve ser melhorada, enfatizou o analista Yoshiharu Izumi.


