Um alerta é o que Julian Assange quis fazer com seu primeiro livro, Cypherpunks – liberdade e o futuro da internet, que está sendo lançado pela Boitempo Editorial no Brasil. O livro traz novamente à tona questões como a vigilância em massa, a censura e a liberdade na internet. O autor, que atualmente está em prisão domiciliar na embaixada do Equador em Londres, é o editor-chefe do Wikileaks e por este motivo seu nome passou a ser conhecido no mundo inteiro.
Mas poucos sabem que por trás de um portal que divulga informações confidenciais de governos estão ideias compartilhadas por ativistas que também participam do livro: Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann. A publicação, na verdade, reúne conversas entre estes quatro ativistas da internet.
Na publicação, eles alertam para uma vigilância em massa no espaço cibernético, realizada pelos governos e grandes corporações. Os ativistas falam, inclusive, de uma "vigilância estratégica", que consiste na interceptação de todas as comunicações de todas as pessoas, e não apenas de pessoas suspeitas, estimulada pelo baixo custo que o armazenamento em massa atinge a cada ano.
"Nunca se sabe quando alguém é suspeito", comenta Maguhn. Por US$ 10 milhões, consta no livro, é possível comprar uma unidade de armazenamento permanente de dados interceptados de um país de médio porte. Uma aeronave militar, comparam os escritores, custa cerca de US$ 100 milhões.
Eles também chegam a dizer que o Google e o Facebook são verdadeiras "máquinas de vigilância", já que as agências de espionagem dos EUA têm total acesso aos dados armazenados por estas empresas. E telefones celulares são "um dispositivo de monitoramento que também faz ligações".

Cypherpunks
"Privacidade para os fracos, transparência para os poderosos" são as palavras de ordem dos cypherpunks (cypher=escrita cifrada), que visam inverter a ordem atual da internet, onde os fracos são vigiados e os poderosos escondem suas atividades. Partindo desta ideia surgiu o Wikileaks, que levou à tona atividades polêmicas praticadas pelos governos, escondidas sob o manto da confidencialidade.
Do outro lado, Assange, Appelbaum, Maguhn e Zimmermann sugerem que os usuários da internet adotem ferramentas que permitam a transparência e o anonimato na rede, entre elas, o software livre e a criptografia. "Precisamos de um software livre que todo mundo possa entender, modificar e examinar para verificar o que ele está fazendo. Acho que software livre constitui uma das bases para uma sociedade on-line livre, para termos o potencial de sempre controlar a máquina, não permitindo que ela nos controle", diz Zimmermann.
Appelbaum, por sua vez, completa: "Precisamos de uma criptografia robusta para nos certificar de que ninguém mais possa ter acesso a dados que desejamos manter privados". Esta criptografia é a mesma já utilizada por navegadores e bancos. "(...)é preciso reconhecer que, com a criptografia, nem toda a violência do mundo poderá resolver uma equação matemática".
A jornalista teve acesso ao livro por cortesia da Editora Boitempo.

Serviço:
Cypherpunks - Liberdade e o futuro da internet
De Julian Assange (com Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann)
168 páginas
Preço: R$ 29
Editora: Boitempo

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- Vigilância constante

- Sem motivo para pânico

- Sob o escudo da criptografia

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