Atenção atual é em infraestrutura
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
Uma dos pontos que colocam em segundo plano a preocupação das empresas que trabalham com a Internet das Coisas (IoT) no que se trata da segurança e privacidade, é que neste momento o foco está na infraestrutura da internet. A possibilidade de conectar todos esses dispositivos inteligentes para que interajam um com os outros de forma eficiente envolve um desafio técnico muito grande.
Hoje existem bilhões de dispositivos conectados na rede mundial de computadores. Com a IoT, haverá um salto para centenas de bilhões. Os endereços de IP que identificam cada um desses dispositivos de forma única, não têm capacidade para todo esse crescimento. Por isso, a internet está num processo de transição, com a implantação de uma nova tecnologia que substituirá a versão 4 (IPv4). O novo protocolo será o IPv6, mas a transição está muito atrasada.
Já não há mais IPs versão 4 e muitos provedores estão começando a compartilhar endereços entre vários usuários simultâneos, numa técnica chamada Carrier Grade NAT. Isso pode, no extremo, levar ao fim da internet como é conhecida atualmente. A implantação do IPv6, portanto, é fundamental para a continuidade da internet e sua evolução no contexto da IoT.
O gerente da Ceweb.br e do escritório brasileiro da W3C, Vagner Diniz, relata também que é preciso criar um ambiente que os dispositivos possam se conversar. "Cada equipamento é de uma plataforma diferente, com arquiteturas de software e, principalmente hardware, bem distintas. Para que haja essa "conversa" entre eles, demanda um esforço maior em termos de protocolos. E aí entra diversos atores que estão tentando lidar com esses protocolos. Existem organismos internacionais ligados à padronização buscando criar protocolos que permitam que esses dispositivos interoperem", salienta.
Outro ponto é relacionado às bandas para trafegar todos esses dados troca da informações de forma eficiente. "Quanto mais dispositivos se conectam na internet, mais troca de dados temos na infraestrutura de internet. Por isso, precisamos maior largura de banda. É como se conectasse mais tubos de água num tubo principal. Se você não aumenta esse tubo principal, você não consegue dar vazão para a água", compara Diniz.
No que diz respeito à segurança e privacidade, o profissional comenta que quando a IoT começar a ser implementada largamente no cotidiano das pessoas, com a implementação de soluções e serviços, o tema vai ficar mais latente estre as empresas. "As empresas não vão conseguir uma penetração de mercado sem que o usuário esteja seguro em relação a esse assunto. Por outro lado, os usuários precisam estar capacitados para evitar riscos. É um assunto espinhoso, já que hoje já temos problemas neste sentido". (V.L.)


