Os órgãos oficiais não revelam dados, mas ataques a sites de governo continuam em alta e deverão continuar, afirma especialista de empresa de antivirus. Até o início da tarde de ontem, 45 ataques a sites com domínio .gov.br podiam ser vistos no Zone-H, site que divulga invasões chamadas de "defacements" - alteração na aparência da página geralmente com a inclusão de alguma mensagem do cracker – só neste ano. A maioria dos sites era de prefeituras de municípios pequenos.
No Paraná, havia duas notificações de ataques a sites de órgãos públicos em 2015. Uma delas à página inicial da Câmara Municipal de São Pedro do Ivaí (Vale do Ivaí), que até o fechamento desta edição ainda estava sendo redirecionada a uma página em que se podia ler a mensagem "Hacked by Security Attack Hackteam". Security Attack Hackteam é o grupo a que pode ser atribuída a invasão. Segundo notificação do próprio grupo no Zone-H, o defacement havia sido realizado no último dia 9. Conforme o site, 66 invasões do tipo foram realizadas contra sites com domínio ".pr.gov.br" em 2014. A FOLHA entrou em contato com a Câmara Municipal de São Pedro do Ivaí, que não atendeu às ligações na tarde de ontem.
Segundo André Carrareto, estrategista de segurança da empresa de antivírus Symantec, o "cenário político brasileiro ainda instável" pode ocasionar estes ataques a sites do governo. A maioria destas invasões tem motivações políticas, com o objetivo de gerar um protesto contra algo a que o cracker se opõe, explica o estrategista.
Mas, na visão do delegado do Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná (Nuciber), Demetrius Gonzaga de Oliveira, pode tratar-se de uma tentativa de "desmoralizar" a administração pública. "É uma técnica de exibicionismo, uma forma de demonstrar conhecimento e desmoralizar o administrador do sistema, uma repartição ou um serviço público."
Segundo o delegado, defacements são a forma mais comum de ataques a sites do governo. O estrategista da Symantec alerta que, diferentemente dos ataques de negação de serviço (DDoS – Distributed Denial of Service) - que deixam o site indisponível por um tempo em virtude do direcionamento de um grande volume de solicitações ao endereço -, os defacements podem ser considerados invasões e, portanto, inspiram cuidados. "É mais grave, porque para fazer isso, o cracker tem que ter tido acesso ao computador que hospeda o site", afirma Carrareto. Desta forma, caso este computador armazene dados, o criminoso pode ter tido acesso a eles.
Mas mesmo ataques sem roubo de dados podem resultar em transtornos. O diretor do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI) da Prefeitura de Londrina, Edvaldo de Alcântara Oliveira, lembra que a última vez que o site do município sofreu um ataque foi em setembro de 2013 e, na época, cerca de 20 dos 30 serviços do site ficaram indisponíveis. Na ocasião, o departamento resolveu "reescrever" o site para garantir que incidentes como este não voltassem a acontecer.
Somando-se o tempo de reforma do site, o endereço da administração pública de Londrina teve de ficar cerca de três semanas fora do ar. "Mas foi um divisor de águas. Tínhamos uma versão do PHP (linguagem de programação) com fragilidades. Ficamos duas, três semanas fora do ar para reescrever o site e sair de uma versão de uma linguagem com fragilidades."

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