Asteróide gigante pode se chocar com a Terra
Agência Estado
Acidente provocaria variações de temperatura e grandes inundações no Planeta; e as chances de sobrevivência da humanidade seriam mínimasHá exatamente dez anos, em agosto de 1987, o cientista russo Alexander Voytsekhovsky fez o alerta: um gigantesco asteróide poderá chocar-se contra a Terra em 2115, provocando uma destruição tão grande quanto à da Atlântida. Na ocasião, Voytsekhovsky sugeriu que os cientistas de todo o mundo se unissem em busca de meios para destruir o asteróide antes de sua chegada ao planeta. Passados dez anos, os cientistas se dividem quanto à previsão de seu colega russo, publicada pelo jornal Sotsialisticheskaya Industriya. Mas já existem astrônomos patrulhando o céu para localizar as ameaças e, no futuro, desviá-las de rotas de colisão.
Só será possível resolver esse problema de um modo: criando-se um serviço espacial mundial para a defesa da Terra, afirmou o pesquisador, na entrevista publicada pelo jornal de Moscou. Se os estudos confirmarem que os dois corpos se chocarão, nossos descendentes não terão outra saída a não ser destruir o asteróide ou fazer com que seu curso seja desviado. Na reportagem, ele explica que os cálculos foram feitos por astrônomos ingleses. Outros cientistas consideraram a previsão um tanto precipitada, pois o astreróide - batizado com o nome de 1983 TV - só foi visto uma vez, em outubro de 1983.
Segundo o cientista alemão Lutz Schmadel, seria preciso observar o asteróide pelo menos mais duas vezes para se fazer cálculos precisos. De qualquer forma, Voytsekhovsky insistiu na necessidade de se estudar mais detalhadamente essa possibilidade de choque. E usou como argumento o fato de alguns pesquisadores terem admitido que a suposta destruição da Atlântida foi causada por uma gigantesca bola de fogo que acompanhou o Cometa Halley há milhares de anos.
Aos que duvidam dessa tese, o cientista lembra que inúmeras crateras existentes na superfície da Terra foram causadas por grandes meteoritos. Schmadel rebate os argumentos dizendo que mais de 20 mil asteróides já foram mapeados, ao longo dos últimos anos, e nenhum deles avançava em direção à Terra.
Samba Caso acontecesse o choque previsto, toda a Terra seria afetada por variações de temperatura e grandes inundações e as chances de sobrevivência da humanidade seriam mínimas. Há 60 anos, alguns pesquisadores fizeram previsão semelhante, quando o asteróide Hermes passou a 700 mil quilômetros da Terra. Passado o perigo, o compositor Assis Valente aproveitou para lançar o samba E o Mundo Não Acabou, cantado por Carmen Miranda: Beijei na boca de quem não devia/dancei um samba em traje de maiô/e o tal do mundo não se acabou.
Trinta anos mais tarde, em 1967, foi a vez do asteróide Ícaro se aproximar da Terra, levando astrólogos e cientistas a prever catástrofes que acabaram não se confirmando. Em 1989, outro asteróide, o 1989 FC, também se aproximou a 700 mil quilômetros da Terra, e dois anos depois foi a vez de o 1991 BA passar a 170 mil quilômetros.
Segundo os cientistas David Morrison, da Nasa, e Clark Chapman, do Planetary Science Institute, se o 1989 FC tivesse batido na Terra, liberaria energia equivalente a um milhão de toneladas de dinamite e deixaria uma cratera de pelo menos sete quilômetros de diâmetro.
Já foram detectadas ameaças concretas, não de asteróides, e sim de restos de foguetes e satélites espalhados pelo espaço e que representariam perigos menores. Mas os terráqueos já venceram uma batalha contra o asteróide Orfeu, graças aos esforços conjuntos desenvolvidos por russos e americanos. Foi no filme Meteoro, com Sean Connery.





