ARUN NETRAVALI o homem de US$ 4,5 bilhões
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segunda-feira, 06 de novembro de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
Arun Netravali, um dos pesquisadores mais premiados do mundo, esteve em Foz do Iguaçu durante um megaevento sobre telecomunicações o Futurecom 2000, congresso internacional que reuniu seis mil representantes de 20 países , para falar sobre o seu trabalho na presidência do maior laboratório privado de pesquisas tecnológicas do mundo: a Bell Labs Innovations. Sob sua administração, Netravali mantém 30 mil funcionários (sendo 11 deles vencedores de prêmios Nobel) e cuida de um orçamento anual de causar inveja a muitos centros de pesquisa: US$ 4,5 bilhões .
Para o cientista indiano, a rede mundial de computadores sofrerá mudanças drásticas dentro dos próximos cinco anos. A Internet que hoje intimida as pessoas será inteligente, ativa e conversará com o usuário em qualquer linguagem. A palestra proferida por ele durante o Futurecom 2000 foi a mais disputada entre os participantes do evento. Usando o tema Além de 2001 - As tendências, desenvolvimentos e oportunidades dos serviços eletrônicos em redes de comunicação, Netravali falou sobre tópicos ainda desconhecidos pela maioria da população como e-business (negócios virtuais), transmissões óptoeletrônicas (informações passadas por lasers) e cyberlabs (laboratórios abertos em rede e, principalmente, a busca pela Internet inteligente. O novo conceito possibilitará a comutação de todas as informações (alfanuméricas e audiovisuais) em um padrão facilmente interpretado pelas máquinas. Em breve, finalmente iremos dialogar com elas.
Considerado um dos pioneiros na tecnologia digital, Netravali é responsável por mais de 170 projetos científicos, entre eles a televisão de alta definição (HDTV) e a transmissão óptica sem fibras (transmissão de dados via laser). Depois de passar anos desenvolvendo pesquisas em diversas empresas que trabalham com tecnologia de ponta (basta citar a Nasa como exemplo), o pesquisador passou a atuar nos laboratórios da Bell a partir de 1972 e não saiu mais.
Durante o congresso realizado em Foz, o cientista falou com animação da menina dos olhos da Bell Labs no momento: o devenvolvimento de projetos para os celulares 3G (terceira geração), que darão acesso aos usuários à Internet, empresas comerciais e, futuramente, contactar outros equipamentos, transformando o aparelho algo semelhante a decodificadores, chaves virtuais e até cartões de crédito. Queremos que a pessoa chegue perto de uma máquina de refrigentes, direcione seu aparelho e compre a bebida. Isso já está se tornando realidade nos dias de hoje, explicou o cientista, referindo-se a um projeto similar em funcionamento na Dinamarca.
Sobre a atual realidade vivida pela população mundial, onde pesquisas revelam que metade dos habitantes do planeta não tem acesso a um simples telefone. Netravali comentou que reconhece as limitações do progresso em certas partes do mundo (como em sua própria terra natal), mas destaca que a evolução tecnológica está cuidando disso, mesmo porque as empresas sempre precisarão de novos mercados. Demoramos 100 anos para conseguir 700 milhões de telefones fixos registrados até hoje. Dentros dos próximos dez anos, este número irá dobrar, contando ainda com inclusão extra de outros 400 milhões de celulares. A tecnologia precisa e será mais democrática no futuro próximo.


