Arsênico pode ser usado para tratar o câncer
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de agosto de 1997
France Presse 
O conhecido veneno arsênico pode, paradoxalmente, ter efeitos terapêuticos benéficos numa forma rara de câncer de sangue quando o tratamento habitual for ineficaz, segundo uma pesquisa franco-chinesa.
Desde 1971, os médicos chineses utilizam, no tratamento de leucemias, uma medicação tradicional à base de arsênico, conhecida por seus efeitos cancerígenos.
Obtendo resultados excepcionais, tendo em conta as condições de tratamento na China, a pesquisa envolveu 70 pacientes (25% se curaram depois de dez anos de tratamento) afetados pela leucemia aguda promielocitária. Esta leucemia é habitualmente tratada com hormônio e ácido retinóico associado a quimioterapia.
Depois de confirmados os resultados, a equipe de Shangai (professores Wang e Chen do Instituto de Hematologia) verificou que a injeção intravenosa de trióxido de arsênico induz a alívios completos e prolongados nos pacientes, que não conseguem resultados com hormônio retinóico.
A equipe se associou aos franceses da Hugues de Thé (laboratório de patologia celular, CNRS, hospital Saint-Louis de Paris) para explorar a terapia com arsênico e suas aplicações potenciais.
Esta forma rara de leucemia tem a particularidade de vir unida com uma lesão genética, afetando os cromossomos 15 e 17. A lesão, uma fusão de dois genes, (PML e RARa) dá um gene defeituoso que provoca a produção de uma proteína anormal chamada oncógena, e a proliferação tumoral.
Como no tratamento moderno, com ácido retinóico, o arsênico atua sobre o gene anormal responsável pela doença.
O arsênico desencadeará a morte programada das células leucêmicas, atuando sobre a parte chamada PML do gene, enquanto o ácido retinóico atua sobre a outra parte (RARa) do gene normal.


