Arqueóloga aposta na autenticidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de abril de 1998
Eduardo Castor Borgonovi Agência Estado 
As mais recentes conclusões a respeito de veracidade do Santo Sudário foram divulgadas no final do ano passado, por uma conceituada arqueóloga suíça, Maria Grazia Siliato. Ela apresentou à imprensa, em Roma, os resultados de suas pesquisas e de outros estudiosos, em Paris. Segundo a arqueóloga, as provas são irrefutáveis, autenticando uma das mais misteriosas e controvertidas relíquias do Cristianismo.
Este é o único documento na Terra que prova a presença material de Jesus, 2 mil anos atrás, comentou a arqueóloga em sua entrevista. É a única relíquia arqueológica, real, concreta. E agora não há mais dúvidas de sua autenticidade.
A arqueóloga está lançando um livro, Sudário, no qual mostra que os resultados dos exames de carbono 14 feitos no Sudário em 1988 não são corretos. Esses exames foram feitos por três laboratórios, um da Inglaterra, outro dos Estados Unidos e um terceiro da Suíça e concluíram que o frágil manto de linho, que mostra uma possível imagem de Jesus Cristo gravada em sangue, era uma peça falsa dos séculos 13 ou 14. Em seu livro, a arqueóloga traça o que entende ser a história detalhada do Sudário. Até hoje sabe-se apenas que ele foi levado à França em 1357, depois de ter sido capturado dos árabes por cruzados.
Em seus estudos, Maria Grazia Siliato, que estudou o Sudário por mais de 16 anos, afirma que os exames de carbono 14 estão errados por um único motivo: o fragmento submetido a exame era um pedaço de um remendo consertado cinco vezes desde 1400. Isso, diz ela, explicou porque em 1988 os três exames de laboratório mostraram resultados diversos, cada laboratório falando de uma época, entre 1260 e 1390.
O Santo Sudário, salvo de um incêndio na Catedral de Torino em abril de 1997, mostra claramente a imagem de um homem com longos cabelos e barba, deitado com as mãos cruzadas no peito. Céticos, a respeito da possibilidade de que seja a imagem de Jesus, têm afirmado com insistência que se trata de uma pintura e que o sangue é apenas aparente, configurando uma farsa medieval. A imagem chegou a ser atribuída a Leonardo da Vinci, apesar de ela ter sido levada à Itália em 1453, quando Leonardo tinha apenas 11 meses de idade.
Ao refutar os argumentos históricos, a arqueóloga compara também a imagem, tecnicamente, mostrando que ela não poderia ter sido pintada e que a maneira como foi registrada no linho tem semelhança, por exemplo, ao processo como o papel reage ao contato com uma folha ou outro material orgânico. O papel, ou o linho, no caso do Sudário, reagem do mesmo modo a ácidos animais ou vegetais. A reação no Sudário praticamente revela todas as características de contato entre o sangue de uma pessoa e o fino linho do pano, afirma a arqueóloga, afastando a possibilidade de que a figura tenha sido pintada.
A arqueóloga suíça tem a favor uma larga experiência na análise de objetos recolhidos em sítios arqueológicos e que normalmente passam por exames semelhantes aos que foram feitos no Santo Sudário. Geralmente, ela afirma, essas reações necessitam de apenas algumas horas, ou poucos dias, para ficarem registradas no tecido, embora muitas vezes demorem 40 a 50 anos para aparecerem totalmente. E então, diz, permanecem inalteradas por muitos séculos.
Maria Grazia adiantou que várias fotografias técnicas ainda serão tiradas pelos pesquisadores nos próximos dias. Isso permitirá, também, que sejam feitos novos estudos, com tecnologias de computador ultramodernas às quais o Sudário jamais foi submetido. Entre outras coisas, afirma a arqueóloga, os novos estudos revelaram que no Sudário estão impressas as palavras Jesus de Nazaré, de forma muito sutil e que mal pode ser vista a olho nu.


