Arid vai equipar penitenciárias do País
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quarta-feira, 09 de julho de 1997
Luis Lomba Curitiba 
Albari RosaMaurizio Tazza, Gilson Santin, Marcos Lopes, Hamilton Rokukawa e Álvaro de Matos, equipe que desenvolveu o sistemaO Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Curitiba fez um acordo com a Unisys para comercialização do sistema de Análise e Reconhecimento de Impressões Digitais (Arid). O sistema, único com tecnologia 100% nacional, foi desenvolvido nos laboratórios do Cefet por uma equipe liderada pelo professor Maurizio Tazza, ao longo dos últimos sete anos. O acordo prevê a utilização do sistema no projeto do Ministério da Justiça de informatizar todas as penitenciária do País.
O projeto-piloto será implantado no Presídio Central de Porto Alegre, o que começa a ser feito semana que vem. Provavelmente o sistema vai se tornar padrão para todo o País, diz Tazza. Em Porto Alegre será montado um banco de dados com as impressões digitais de 1,8 mil detentos. As visitas também serão controladas pelo sistema. O visitante terá suas impressões colhidas na entrada e na saída, evitando que alguém ajude um preso a fugir ficando em seu lugar.
O sistema identifica as principais características das impressões digitais para compará-las e definir a identidade de qualquer pessoa. Através de um sensor ótico, a impressão digital é captada. A partir dela, o sistema traça um grafo (conjunto de pontos e linhas interligados) e o compara aos existentes num banco de dados. Os pontos dos grafos identificam o que os técnicos chamam de minúcias (linhas que se extinguem ou se bifurcam, por exemplo).
A comparação mede a similaridade entre os grafos, numa escala de zero a um - quanto mais próximo de um, mais similares. Um índice de similaridade de 0,65 garante que as impressões digitais comparadas são da mesma pessoa. Com índices abaixo de 0,45, a possibilidade de se tratar da mesma pessoa é totalmente afastada. Com resultado na faixa intermediária, comparam-se as impressões de outro dedo para decidir a questão.
Albari RosaNa tela, o polegar e o grafo (conjunto de pontos e linhas interligados) traçado pelo Arid: sistema compara as características das impressões para identificar a pesssoa
O índice de similaridade é importante porque a captação das mesmas impressões digitais nunca é igual - a posição do dedo sempre é diferente. No caso de ferimentos que destruam parte das impressões, o sistema compara os grafos das partes preservadas das impressões, garantido a confiabilidade do resultado.
Fases O desenvolvimento do Arid começou há sete anos, por sugestão de Gilson Santin, um estagiário do curso de Engenharia Eletrônica que trabalhava no setor de identificação da Polícia Civil. Foi preciso um ano para aprontar um protótipo. A partir daí, o professor Tazza e cinco mestrandos, incluindo Santin, passaram a trabalhar na solução dos problemas apresentados pelo protótipo. Com os problemas resolvidos, há um ano e meio eles trabalham para aumentar a confiabilidade do sistema e melhorar seus algoritmos.
O desenvolvimento foi apoiado pela Fundação Banco do Brasil, pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e pelo Cefet, que colocaram dinheiro no projeto. Os seis pesquisadores também colocaram dinheiro do bolso para comprar equipamentos e viajar atrás de novos conhecimentos. Quando o produto começar a dar lucro, ele será dividido proporcionalmente aos investimentos em seu desenvolvimento.
Segundo Tazza, o contrato com a Unisys, por enquanto, é de experimentação. Se tudo der certo, vamos discutir as bases comerciais do contrato, diz. Ele se recusa a falar em cifras, alegando a necessidade de preservar as negociações com a empresa.
O sistema já foi testado durante o vestibular da Universidade Federal do Paraná deste ano. Em dois dias, foram colhidas impressões digitais de 16 mil candidatos. No momento da matrícula, os aprovados voltaram a ter as impressões colhidas, para definir se eram as mesmas pessoas que fizeram as provas. O Arid passou no teste.


