Argentina: terra de gigantes
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
France Presse 
ReproduçãoMuseu de Nova York: resgate da vida pré-históricaA atual exposição no Museu de História Natural de Nova York de fósseis de giganotossauros e argentinossauros, que povoaram o território argentino, induziu especialistas em Paleontologia a projetar a criação de um parque pré-histórico que permita apreciar camadas sedimentares de mais de cem milhões de anos.
O projeto divulgado na segunda-feira pela imprensa e denominado Parque Cretácico, abarca uma área rica em fósseis às margens da represa Exequiel Ramos Mexía, na província de Neuquén (ao sul da Argentina), onde se encontrou outro dinossauro carnívoro gigantesco, o Gigantossauro carolini.
O Carolina, como foi apelidado, foi encontrado no final de junho de 1993. Oitenta por cento de seu esqueleto foi desenterrado, o que permitiu atribuir ao animal 14 metros de comprimento, 4,60 de altura e um peso de 9,5 a 10 toneladas.
A apenas três quilômetros da cidade de El Chocón podem ser vistas as pegadas de dinossauros carnívoros e herbívoros (bípedes e quadrúpedes) de cerca de 97 milhões de anos.
Há duas semanas, quando estreou a segunda parte do filme Jurassic Park, de Steven Spielberg, o museu inaugurou a mostra O mundo perdido (título do novo filme do diretor norte-americano), que conta com quarenta exemplares de várias regiões representados por fósseis e réplicas.
O objetivo é mostrar exemplares encontrados na China, Argentina e Canadá, que são praticamente desconhecidos nos Estados Unidos.
O giganotossauro e o argentinossauro são exibidos ao lado de outros fósseis impressionantes encontrados na Argentina: o pequeno gasparinssauro, de 30 centímetros, o dicynodon, que chegava a 1,2 metro (também encontrado na África do Sul e na Tanzânia), o eoraptor, o herrerassauro e o amargassauro.
O giganotossauro está datado de 97 milhões de anos, media 15 metros e os paleontólogos o descreveram como um dos mais ferozes carnívoros que já existiram, com enormes dentes afiados.
O paleontólogo Rodolfo Coria, da Universidade estatal argentina de Comahue (ao sul), explicou que, tratando-se de um predador feroz, é natural que seus dentes apareçam quebrados entre os ossos de grandes dinossauros herbívoros e sem proteção local.
O giganto e o temido Tiranossauro Rex dos filmes de Spielberg são bípedes com grandes patas posteriores, braços e mãos pequenos, pescoços curtos e grandes cabeças, embora não tenham nenhum parentesco entre eles.
O argentinossauro, por sua vez, viveu há 90 milhões de anos e com seus 35 metros de comprimento e com cerca de 100 toneladas de peso, foi não só o maior dos dinossauros de todos os répteis, senão o maior de todos os vertebrados terrestres de todos os tempos.


