AOL entra em campo e quer ser a nº 1
Agência O Globo,
do Rio
Na terça-feira a America Online declarou, oficialmente em São Paulo, sua chegada ao Brasil. Anunciando uma revolução no mercado brasileiro de Internet, o presidente da AOL Brasil, Francisco Loureiro, parece ter atingido seu objetivo. Tanto que, para combater o impacto do lançamento que reuniu no Renaissance Hotel 90 jornalistas do Brasil e países vizinhos os outros grandes provedores apelaram para uma verdadeira tática de guerrilha: quase todos marcaram coletivas de imprensa ou anúncios importantes para o mesmo dia e horário. Esta foi uma eloquente demonstração do respeito que o nome e o dinheiro da empresa de Steve Case impõem hoje ao mercado.
Mas afinal, quem é a AOL? Ela é, simplesmente, a maior provedora do mundo, uma espécie de Microsoft da Rede. Com mais de 19 milhões de assinantes só nos Estados Unidos, já está presente também no Reino Unido, França, Alemanha, Suécia, Austrália, Japão, Canadá e Hong Kong. Ao longo do ano 2000, pretende entrar em toda a América Latina - a começar por aqui, mercado que quer liderar em, no máximo, dois anos.
Nos últimos tempos, a AOL fez algumas compras de peso. Primeiro, engoliu a Compuserve. Depois, a Netscape e a Mirabilis, empresa que inventou o ICQ. Isso para não falar em MovieFone e iPlanet, entre muitas outras.
A trajetória da AOL nesses últimos anos foi uma verdadeira montanha russa. Ela já esteve por baixo tantas vezes que ganhou o apelido de Barata cascuda do ciberespaço (The cockroach of cyberspace). Motivo? É quase impossível acabar com ela...
A crise mais famosa foi a de 1993. A AOL ainda era uma criança, pequena e fraca, e a Microsoft - que de pequena já não tinha nada - anunciou que ia entrar para valer na Internet, com o seu próprio serviço de acesso: a MSN. Mas isso não era tudo. O pior é que a MSN viria pré-instalada em todas as cópias da nova versão do Windows. Ou seja: a AOL e os demais provedores seriam simplesmente varridos do mapa, sem deixar cibertraços.
Numa hoje lendária reunião, realizada no dia 11 de maio de 1993, Bill Gates e Steve Case (presidente da AOL) ficaram cara a cara. Foi nessa ocasião que a empresa recebeu uma sentença de morte de tio Bill em pessoa: É o seguinte: eu posso comprar 20% da AOL; posso comprar a AOL inteira; ou posso entrar nesta indústria sozinho e destruir vocês.
Diante disso, qualquer pessoa de bom senso teria vendido logo a companhia, comprado um veleiro e ido para o Caribe até o fim dos tempos. Mas Steve Case é teimoso. Aliás, o sucesso da AOL, nesta e em outras crises, se deve, em grande parte, à sua tenacidade. Líder da empresa desde o começo, ele teve, como todos os mega-empresários de sucesso, uma visão sensacional, logo no início de sua carreira. A missão da AOL, até hoje inscrita no saguão do seu prédio principal, é: Criar um novo meio de comunicação global, tão importante para a vida das pessoas quanto o telefone e a televisão -e ainda mais valioso. Esta frase guiou Steve Case e a AOL por todas as turbulências, fazendo da empresa o gigante que é hoje.
O mais curioso é que o sucesso da AOL não é fácil de explicar. Ela não é o provedor mais rápido, nem o mais barato, nem o mais avançado. Na verdade, a AOL foi, durante muito tempo, o que havia de mais desprezado pelos heavy-users da Internet. Ela é um provedor normal, ideal para uma pessoa normal - e não para experts em informática.Depois de um tempo de suspense, a mega-provedora chega enfim ao País querendo se tornar líder do mercado em dois anos
Agência O GloboMICROSOFT DA REDEEsta foi a tela apresentada ao Brasil na terça-feira: a AOL, com mais de 19 milhões de assinantes só nos Estados Unidos, opera com browser próprio





